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Minério deve cair após alta de 24% e McKinsey alerta para risco

Jasmine Ng

31/03/2016 10h26

(Bloomberg) -- O minério de ferro provavelmente retornará para US$ 45 a tonelada. Os motivos, segundo a McKinsey & Co: a nascente recuperação imobiliária da China não reforçará a demanda da construção no maior usuário do mundo e a oferta continua abundante.

A commodity será negociada entre US$ 45 e US$ 50 a tonelada neste ano, corroendo a alta do primeiro trimestre, que chegou a US$ 63,74, impulsionada pela especulação de maior crescimento da demanda, disse Oliver Ramsbottom, em Tóquio, em entrevista.

Não existe uma melhora real no consumo de aço chinês, disse Ramsbottom, que cobre commodities há quase duas décadas.

O aumento de 24% do minério de ferro neste trimestre surpreendeu muitos analistas que haviam estimado um quarto ano de prejuízos impulsionado pela queda da demanda pelo aço na China e pelo aumento da oferta de baixo custo.

Muitos céticos não se agitaram com a recuperação e bancos como o Goldman Sachs reiteraram projeções pessimistas. A visão da McKinsey, de que os ganhos do minério de ferro provavelmente serão transitórios, surge depois de as maiores siderúrgicas da China alertarem que a crise da indústria global do aço é tão severa que pode ser comparada a uma nova "era do gelo".

"Há muita oferta, há uma demanda relativamente fraca e descendente e, claro, ocorre uma certa elevação no preço, mas ela não é realmente muito significativa", disse Ramsbottom. "Há poucos motivos para o minério de ferro ir além de US$ 45, US$ 50 por tonelada. Na verdade, provavelmente existam mais riscos de baixa".

Meta do Goldman

O minério com 62% de conteúdo em Qingdao caiu 1,7% na quarta-feira, para US$ 54,18 a tonelada, em seu sexto dia de declínio, segundo a Metal Bulletin. Os preços, que em 7 de março registraram um ganho recorde para um único dia, ainda caminham para o seu maior avanço trimestral desde dezembro de 2012.

O Goldman Sachs tem uma meta para o fim do ano de US$ 35 a tonelada, enquanto o Citigroup projeta uma média de US$ 38 para 2016 e de US$ 35 para 2017 e 2018. Nesta quinta-feira, na Ásia, os contratos futuros sinalizaram perdas no preço da Metal Bulletin e o contrato em Dalian chegou a cair 1,9%.

"Prevemos que o minério de ferro permanecerá mais um pouco onde está", disse Tony Ottaviano, vice-presidente de estratégia, desenvolvimento e planejamento da BHP Billiton, em evento do setor em Perth, na Austrália, na quinta-feira, acrescentando que fez sentido para a mineradora maximizar a produção.

"Ao ver as margens de Ebitda que fazemos, não consigo entender por que não operaríamos esses ativos com seu valor pleno e por que não maximizaríamos cada parte da produção possível".

Preços das residências

O aumento do minério de ferro no primeiro trimestre surgiu em um momento em que os dados divulgados mostraram que os preços das residências subiram na maior parte das cidades da China desde março de 2014 e os preços do aço aumentaram.

As autoridades têm sinalizado que estão preparadas para reforçar o crescimento econômico mais fraco em 25 anos. Embora o país tenha começado a aliviar as restrições à propriedade em 2014, as medidas ajudaram a elevar os preços nos maiores centros sem, contudo, diminuir a abundância de residências não vendidas nas cidades menores.

"Ainda há um excesso de oferta, certamente residencial, nas cidades de terceira e quarta grandeza", disse Ramsbottom, que morou na China durante cerca de 15 anos.

"Se o governo continuar dizendo 'OK, não vamos recorrer ao aumento do crédito e permitir que as incorporadoras imobiliárias comecem a construir novamente'", então a demanda pelo minério de ferro e os preços serão atingidos, disse ele.

Os setores de infraestrutura e construção respondem por cerca de metade do consumo de aço da China, estima a Bloomberg Intelligence.

Em um momento em que o país busca uma transição, distanciando-se dos investimentos e caminhando para um crescimento impulsionado pelo consumo, a demanda pelo aço se contrairá em 3% em 2016 após encolher 5,4% no ano passado, segundo a Associação de Ferro e Aço da China.