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Credores externos exigem garantia em dólar de empresas, dizem fontes

Cristiane Lucchesi, Jonathan Levin e Francisco Marcelino

(Bloomberg) -- As maiores corporações do Brasil, já atingidas por uma crescente crise política e pela pior recessão em um século, enfrentam uma nova ameaça: os credores internacionais interromperam completamente a concessão de empréstimos a elas ou estão exigindo garantias em dólar, disseram pessoas com conhecimento direto do assunto.

Nenhum empréstimo sindicalizado foi concedido a empresas brasileiras neste ano, o que contrasta com os US$ 12 bilhões registrados em 2015, e nenhum dos bancos ou corporações do país vendeu títulos no mercado externo sem garantias em dólar de julho para cá, mostram dados compilados pela Bloomberg. Mais credores decidiram evitar o Brasil nos últimos 60 dias depois que o país perdeu sua última classificação de grau de investimento em fevereiro, disseram as pessoas, que pediram anonimato por discutirem negociações privadas de financiamento.

Embora aproximadamente 45 bancos internacionais tenham oferecido empréstimos em dólares a empresas brasileiras no ano passado, restam apenas cerca de 20 agora, segundo duas das pessoas, que preferiram não identificar as instituições que estão exigindo garantias em dólar ou aquelas que interromperam completamente a oferta de crédito.

BNP Paribas, Sumitomo Mitsui Financial Group, Natixis e Citigroup foram os bancos coordenadores mais bem classificados do mercado de empréstimos sindicalizados do Brasil no ano passado, segundo dados compilados pela Bloomberg.

A piora da crise política poderia indicar que muitos bancos internacionais permanecerão no aguardo pelo menos até que surjam mais sinais de estabilidade. O apoio ao impeachment da presidente Dilma Rousseff aumentou para 68 por cento em uma pesquisa de opinião realizada em março, contra 60 por cento em fevereiro, e a popularidade dela continuou próxima a um recorde de baixa em uma pesquisa divulgada na quarta-feira pela Confederação Nacional da Indústria. O PMDB, o maior partido político do Brasil, disse na terça-feira que abandonaria a base aliada, enfraquecendo Dilma ainda mais e aumentando a chance de impeachment.

Risco para as reservas

Os credores externos estão especialmente temerosos quanto à possibilidade de o governo utilizar suas reservas internacionais para bancar medidas de estímulo com o objetivo de evitar o segundo ano seguido de contração econômica apontado nas projeções, disseram duas das pessoas. Essas reservas são vistas como uma garantia de que o governo brasileiro conta com dólares suficientes para pagar suas dívidas internacionais.

Dilma disse em 16 de março que as reservas monetárias servem principalmente como escudo contra a volatilidade internacional. Embora possam ter "um papel em relação à dívida", elas não são apropriadas para investimentos, disse a presidente.

Itaú e CPFL

O Itaú Unibanco, maior banco do Brasil em valor de mercado, provavelmente vai desistir de rolar um empréstimo sindicalizado de US$ 1,23 bilhão com vencimento em junho porque as taxas de juros pedidas pelos credores, de 250 pontos-base mais a Libor por três anos sem garantias em dólares, é considerada alta demais, disse uma pessoa com conhecimento da decisão do banco com sede em São Paulo. A empresa pagou 140 pontos-base mais a Libor quando obteve os recursos, em 2013, mostram dados compilados pela Bloomberg.

O banco também possui bastante liquidez, o que lhe permite ser mais paciente que as outras corporações do Brasil que não contam com esse luxo, disse a pessoa. O Itaú possui cerca de R$ 377 bilhões (US$ 105 bilhões) em caixa, equivalentes de caixa e depósitos e contas interbancários de curto prazo, segundo seus comunicados financeiros.

Um sinal de vida do mercado de empréstimos sindicalizados está vindo da CPFL Energia, que poderá anunciar um negócio de US$ 200 milhões sem garantias em dólares na semana que vem, disseram as pessoas. Mas a transação ocorre só depois de o Citigroup e o Bank of America, que estão administrando o sindicato, terem reduzido o total, que era de US$ 300 milhões. E em vez das duas a quatro semanas usuais, as negociações com os outros bancos envolvidos duraram seis semanas, disse uma das pessoas. No total, quatro bancos participarão e a taxa de juros sobre o empréstimo de cinco anos é de 270 pontos-base mais a Libor, segundo as pessoas, que preferiram não identificar os outros dois bancos.

Representantes do Itaú, da CPFL, do Bank of America e do Citigroup preferiram não comentar.

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