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Ganhos de mercados emergentes podem enfrentar obstáculos

Ye Xie e Natasha Doff

(Bloomberg) -- Por trás dos melhores ganhos para os mercados emergentes desde 2009, existem alguns sinais ameaçadores de que a alta está prestes a encontrar um obstáculo.

O aumento de 13 por cento nas ações no mês passado foi acompanhado pelo menor volume de negociação em cinco anos nos mercados com os maiores avanços e os menores lucros de empresas em seis anos. No mercado de câmbio, as moedas estão espelhando os maiores movimentos dos preços do petróleo desde 2012, sugerindo vulnerabilidade a qualquer fraqueza renovada em commodities.

Tudo ressalta a fragilidade de uma retomada impulsionada por US$ 37 bilhões de fluxos de investidores em março, mais que em qualquer mês desde junho de 2014. Os pessimistas incluem Barclays e UBS dizendo que estão em desacordo com a queda de exportações e contração da produção nas economias em desenvolvimento, enquanto que é improvável que persistam as forças por trás do aumento - um Federal Reserve tímido, estabilidade na economia da China e aumento dos preços do petróleo.

"O quadro macro para os mercados emergentes não mudou muito desde janeiro", disse Yerlan Syzdykov, gerente de bonds de mercados emergentes na Pioneer Investment Management com sede em Londres, cujo fundo venceu 98 por cento dos seus pares nos últimos três anos. "A desaceleração econômica em mercados emergentes continuará até 2018".

Depois de perder um quarto de seu valor desde 2012, as ações, moedas e títulos dos mercados emergentes voltaram a rugir. Cerca de US$ 1,8 trilhão em valor de mercado foram adicionados às ações nos maiores países em desenvolvimento em março, o maior salto no registro desde 2007.

O índice MSCI Emerging Markets ganhou 22 por cento depois da maior baixa em sete anos em janeiro, o dobro do aumento do valor de referência para ações em economias avançadas. O medidor de MSCI caiu 1,6 por cento, às 9h04 em Nova York na sexta-feira. Bonds em moeda local deram retorno de 8,3 por cento em março, o maior desde 2009.

Alguns dos ventos contrários diminuíram, pelo menos por enquanto. Os preços do petróleo subiram 46 por cento depois da pior queda em 13 anos em fevereiro. A China intensificou os esforços para apoiar o crescimento e as expectativas de aumentos das taxas de juro do Fed diminuíram, com a presidente Janet Yellen dizendo esta semana que os responsáveis pela política econômica devem "proceder com cautela."

Com o dólar caindo, o yield médio de 6,5 por cento da dívida em moeda local dos mercados emergentes começou a atrair lances em um mundo onde cerca de US$ 8 trilhões de dívida dos governos oferecem taxas abaixo de zero.

"Deixar de ser ruim é realmente algo muito bom para uma classe de ativos que estava muito negativa", disse Pablo Goldberg, que ajuda a administrar US$ 10 bilhões em dívida de mercados emergentes na BlackRock, em Nova York. Ele falou à Bloomberg Television em 28 de março. "Você começa a conseguir um piso um pouco melhor para as moedas em emergentes, bem como em commodities".

Goldberg ficou otimista com a dívida de mercados emergentes em fevereiro, mesmo mês que a Research Affiliates, uma sub-assessoria da Pacific Investment Management, disse que os ativos dos países em desenvolvimento podem ser "o negócio da década".

Não convencidos

Outros investidores não estão convencidos. Menos de 24 bilhões de ações nas empresas de mercados emergentes do MSCI mudaram de mãos todos os dias desde que começou a retomada no final de janeiro, em comparação com uma média de 44 bilhões de ações durante os sete avanços semelhantes nos últimos cinco anos, como mostram dados compilados pela Bloomberg.

No mercado de títulos, a diferença entre bonds do Tesouro americano de dois e de 10 anos já diminuiu para o menor patamar desde 2007. Isto sugere que os mercados emergentes são suscetíveis a uma reversão se inflação nos EUA começar a subir, de acordo com o estrategista do Citigroup, Guillermo Mondino.

A fraqueza econômica se manifesta na rentabilidade das empresas. O retorno sobre o patrimônio para empresas do índice MSCI caiu para 10,5 por cento, perto do mais baixo desde 2010, segundo dados compilados pela Bloomberg. O Morgan Stanley prevê que a razão vai cair ainda mais, para 9,6 por cento no final do ano.

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