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Analistas veem ganhos em moedas asiáticas e China como âncora

Lilian Karunungan e Candice Zachariahs

(Bloomberg) -- Os campeões nas projeções para moedas asiáticas no trimestre passado enxergaram além do tumulto causado pela escorregada da China e previram os ganhos que os concorrentes não esperavam. Agora estão novamente com uma visão distinta da maioria.

Enquanto o consenso do mercado aponta para quedas generalizadas, ING Groep e Commonwealth Bank of Australia projetam apreciação até o fim do ano para pelo menos oito das 10 moedas de países emergentes da Ásia acompanhadas pela agência de notícias Bloomberg, estendendo os ganhos registrados no primeiro trimestre, que foi o de maior valorização desde 2010.

Em vez de fonte de problema, essas instituições afirmam que a China será uma âncora para a vizinhança ao longo do ano, proporcionando ganhos cambiais. A China fará isso ao sustentar ganhos no yuan e ao manter estável a taxa de referência em relação ao dólar.

"Existem fortes razões econômicas e políticas para o Banco Popular da China se manter na mesma trajetória do regime de câmbio", disse Tim Condon, chefe de pesquisa para a Ásia do ING em Cingapura, que liderou o ranking da Bloomberg de projeções para as moedas da região no primeiro trimestre.

Juntamente com a fraqueza do dólar em relação às principais moedas, isso ajudará o desempenho das moedas asiáticas."

Os ganhos generalizados --abrangendo desde o ringgit da Malásia até o dólar de Taiwan-- lembram os investidores da força relativa de muitas economias asiáticas, mesmo em um momento em que a China enfrenta as menores taxas de crescimento desde a década de 1990.

Pesquisas separadas indicam que as 10 economias asiáticas estudadas vão se expandir 4% neste ano, mais que o dobro do ritmo das principais nações desenvolvidas. E isso depois que os esforços da China para enfraquecer a taxa de referência que baliza o yuan abalaram os investidores em janeiro -- e as bolsas globais chegaram a perder US$ 9 trilhões de valor de mercado.

Otimistas versus pessimistas

Para o ING, oito das 10 taxas de câmbio da região vão mostrar apreciação em relação ao dólar ao longo deste ano. O CBA, segundo colocado do ranking, prevê ganhos para todas as 10 moedas. Enquanto isso, a estimativa mediana de analistas pesquisados pela Bloomberg aponta para desvalorização de todas essas moedas até o fim do ano.

Uma postura mais branda do Fed ajudará as moedas asiáticas, assim como valores mais "baratos" para o won da Coreia do Sul e o ringgit da Malásia, que registraram quedas acentuadas nos últimos anos, de acordo com o CBA.

O índice Bloomberg-JPMorgan para a Ásia, que acompanha as 10 principais moedas da região excluindo o iene, avançou 1,9% nos primeiros três meses do ano, após perder 8,3% nos seis trimestres anteriores. O ringgit liderou a alta, subindo 10%, seguido de ganhos de 5,2% para o dólar de Cingapura e 4% para a rupia da Indonésia.

Para Condon, do ING, o ringgit vai se fortalecer mais 6,8% em relação ao patamar atual até o fim do ano. A moeda, que desabou 19% em 2015, foi excessivamente vendida devido a acusações contra a estatal de investimentos 1Malaysia Development Bhd. e o primeiro-ministro Najib Razak, segundo ele. O banco holandês projeta ganhos de 1,7% para o baht tailandês e 0,6% para o won sul-coreano.

O CBA espera que o won registre o melhor desempenho da região neste ano, avançando 9,2%. A instituição projeta ganhos de 5,4% para a rupia indiana e 5,1% para o ringgit.

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