Goldman tem 3 razões para se preocupar com mercado de ações EUA

Julie Verhage

(Bloomberg) -- O Goldman Sachs prevê que o índice S&P 500 terminará o ano apenas 3 por cento acima do nível atual. E está ainda mais pessimista para o curto prazo com o início da temporada de balanços nos EUA.

"O risco de curto prazo é de baixa", escreveu a equipe liderada pelo estrategista-chefe de renda variável David Kostin em sua na nota semanal. São três os motivos para a visão de copo meio vazio do Goldman.

1. Energia e bancos

O barril de petróleo ainda é negociado ao redor de US$ 40 e, por isso, o Goldman entende que empresas do setor energético precisarão dar baixa contábil no valor de ativos, o que por sua vez reduzirá as expectativas de lucro.

Também por isso a equipe se preocupa com os bancos. "Nossos analistas destacaram uma lista de problemas, incluindo risco de contraparte no setor de energia, desaquecimento da atividade nos mercados de capitais e um trimestre doloroso para as gestoras de recursos", afirmaram Kostin e equipe. "Acreditamos que o lucro por ação das instituições financeiras pode cair até 25 por cento."

2. Guidance negativo

As projeções de resultado apresentadas pelos executivos têm sido geralmente negativas desde 2008, o que significa que as empresas indicaram que os lucros viriam abaixo das estimativas de consenso. Isso pode ser ruim para as ações, uma vez que as expectativas já baixas de lucro por ação podem piorar ainda mais.

"Desde 2006, praticamente 20 por cento das companhias apresentaram guidance para o 'próximo trimestre' durante a temporada de balanços e 73 por cento costumam dar indicação de resultados abaixo do consenso", concluiu o Goldman. "Após o nível mais baixo da crise financeira global, as projeções das empresas têm ficado cada vez mais negativas e piores do que a média desde 2012."

Por exemplo, no último trimestre do ano passado, o Goldman concluiu que 114 empresas divulgaram guidance e 83 por cento sinalizaram lucros abaixo das previsões de consenso.

3. Recompra de ações

Kostin já alertou antes sobre esse assunto, mas reiterou sua preocupação na nota, escrevendo que o banco agora espera queda de 33 por cento nos fluxos de capital para o mercado acionário nos períodos de blackout, quando as empresas tipicamente evitam recomprar suas próprias ações. Isso pode levar a "uma redução significativa no que atualmente é a única fonte de demanda líquida por ações nos EUA", afirmou o Goldman.

Um estudo da Bloomberg concluiu que empresas nos mercados desenvolvidos foram responsáveis pelo maior volume de recompra de ações –em termos de valor monetário– Nos 12 meses até 31 de março, desde a febre de recompras encerrada em maio de 2008.

De fato, um copo meio vazio.

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