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Análise: Ações dos EUA estão em bull market, mas não parece

Michael P. Regan

(Bloomberg) -- Será que as ações americanas realmente ainda estão em um bull market?

Tecnicamente, sim. Apenas um bear market pode matar um bull market e tradicionalmente é necessária uma queda de 20 por cento em relação ao pico para marcar o início dele. O S&P 500 está em baixa de cerca de 4 por cento em relação ao seu último recorde e nunca registrou, oficialmente, uma queda de 20 por cento, mesmo em meio aos terríveis meses de agosto e janeiro, por isso este ainda é um mercado em alta, pelo menos em tese.

Mas não é o que parece. O principal motivo é que o último recorde foi há muito tempo -- 21 de maio de 2015, quase um ano completo. E na verdade o nível pelo qual o índice está sendo negociado no momento foi atingido pela primeira vez em novembro de 2014, ou seja, este é basicamente o ponto onde o mercado estava um ano e meio atrás.

E simplesmente não parece haver muito a ocorrer tão cedo para gerar um grande otimismo quanto a um retorno para esse recorde. Pelo menos não na temporada de balanços do primeiro trimestre, na qual as estimativas caíram como uma faca e atualmente mostram um declínio de 10 por cento nos lucros do S&P 500.

Por isso, para que os investidores elevem esse mercado significativamente, eles terão que estar dispostos a suportarem avaliações mais altas. E diferentemente, digamos, da bolha ponto-com, quando os estômagos eram mais fortes para essas coisas, este bull market em particular ainda não inspirou um apetite tão voraz, nem uma fortaleza intestinal tão grande.

As altas estancaram bem no momento em que o S&P 500 se aproximou do patamar de 19 vezes os índices lucro-preço nos seis anos anteriores a esse bull market.

O nível já está próximo disso -- na casa das 18,6 vezes os lucros. Por isso, mesmo que essa temporada de balanços consiga atingir esse nível épico, resultando em um crescimento zero, o retorno para o recorde próximo a 2.130,82 exigiria elevar o P/L para mais de 19,3. E, novamente, esse total de 19 parece ser o topo -- o mais alto que se chegou nos últimos seis anos foi um pouco menos: 18,9886.

Mas e quanto à perspectiva para os lucros futuros? Será saudável o suficiente para atuar como o fortificante necessário para que os investidores aguentem um P/L acima de 19? Há motivos para cruzar os dedos e esperar que a baixa do lucro tenha atingido o piso no primeiro trimestre e que o crescimento possa ser retomado -- ou pelo menos que os declínios se tornem menores -- quando saírem os relatórios do trimestre atual.

O primeiro trimestre provavelmente será o quarto período consecutivo com queda nos lucros, por isso as comparações com o ano anterior começarão a se tornar um pouco mais fáceis. Entre as 22 empresas do S&P 500 que divulgaram os lucros do primeiro trimestre até o momento, os lucros caíram 8,6 por cento, mas superaram as estimativas em 6,5 por cento. E Lu Wang, da Bloomberg, reportou na segunda-feira que o ritmo pelo qual os analistas estão reduzindo as estimativas está desacelerando pela primeira vez em oito meses -- uma melhora que ofuscou o piso dos ciclos em 2001 e em 2008.

Mas para essa tendência continuar, provavelmente será necessário o fim de uma tendência muito mais estabelecida. Nomeadamente, as próprias empresas terão que começar a emitir diretrizes mais otimistas para que os analistas possam trabalhar. Na última década, cerca de 20 por cento das empresas emitiram projeções para o trimestre seguinte, segundo o estrategista David Kostin e seus colegas do Goldman Sachs. Normalmente, entre os que o fizeram, cerca de 73 por cento ofereceram uma diretriz abaixo das estimativas de consenso dos analistas.

As estimativas mais recentes dos analistas mostram que os lucros retornarão aos 5,1 por cento de crescimento no terceiro trimestre e a 10 por cento no quarto, segundo os números da Bloomberg. É importante que essas projeções não sejam reduzidas para menos de zero para que o bull market se sinta otimista novamente.

Essa coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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