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Minério de ferro fica acima de US$ 60 com dados da China

Jasmine Ng

(Bloomberg) -- O minério de ferro continua agradando aos que apostam na alta dos preços. Golpeada nos últimos três anos, a matéria-prima voltou a custar mais de US$ 60 por tonelada depois que a divulgação de dados da China se somou aos sinais de possível recuperação da maior economia da Ásia e que a expansão das margens das siderúrgicas locais estimulou o aumento da demanda.

Nesta quarta-feira, o minério com 62 por cento de conteúdo entregue a Qingdao, na China, subiu 2,1 por cento, para US$ 60,48 a tonelada, maior nível registrado desde 8 de março, segundo a Metal Bulletin. Os preços subiram por três dias, levando o avanço deste ano a 39 por cento. Trata-se de uma recuperação em relação a 2015, quando o valor de referência caiu 39 por cento devido ao excedente global e ao enfraquecimento da demanda por aço na China.

A matéria-prima registra uma alta surpresa em 2016 após as autoridades chinesas sinalizarem que estão preparadas para estimular o crescimento econômico do país, as siderúrgicas aumentarem as aquisições mesmo em meio ao aumento dos estoques portuários e o avanço dos preços do aço. Dados divulgados nesta quarta-feira mostraram que as exportações totais da China deram o maior salto em um ano, sinalizando que a segunda maior economia do mundo pode estar se estabilizando.

'Mais dispostas'

As ações das mineradoras subiram. A Vale, maior produtora mundial de minério de ferro, chegou a subir 8,4 por cento em São Paulo, sua maior alta intradiária desde outubro. A Rio Tinto chegou a 6,9 por cento em Londres após subir em Sidney ao maior nível desde novembro. As ações da Cliffs Natural Resources, maior produtora da América do Norte, subiram 6,8 por cento, maior nível desde setembro.

"Como as margens estão muito elevadas atualmente, as siderúrgicas têm um incentivo para formarem estoques de aço", disse Zhao Chaoyue, analista da China Merchants Futures em Shenzhen. "Elas estão mais dispostas também a aceitar preços mais elevados para o minério de ferro".

As siderúrgicas da China, que respondem por cerca de metade da produção global, vêm aumentando a produção após a desaceleração do Ano-Novo Lunar, em fevereiro, enquanto os preços das propriedades em algumas cidades maiores aumentaram. O aumento dos preços do aço melhorou suas margens de lucro, revertendo o aperto do ano passado.

Índice de lucratividade

A barra de reforço, usada na construção, subiu 32 por cento na China em 2016 após cinco anos de perdas. Em Xangai, os contratos futuros fecharam nesta quarta-feira no nível mais elevado desde junho. Os contratos futuros das bobinas laminadas a quente também subiram neste ano. Isso ajudou a elevar o índice Bloomberg Intelligence China Steel Profitability ao maior patamar em quase cinco anos.

As aquisições internacionais de minério de ferro da China subiram 6,5 por cento, para 242 milhões de toneladas, nos três primeiros meses do ano, segundo dados aduaneiros divulgados na quarta-feira. É provável que mais siderúrgicas da China retomem a produção à medida que as margens melhorarem, contribuindo para os volumes de importação de minério de ferro deste mês, disse o Citigroup em um relatório. Os dados de crescimento econômico do primeiro trimestre, assim como a produção industrial, incluindo a produção de aço bruto, deverão ser divulgados na sexta-feira.

A recuperação do minério de ferro é a consequência de um ambiente macroeconômico mais favorável, com menor aversão ao risco e um dólar mais fraco, segundo Artur Manoel Passos, economista do Itaú Unibanco em São Paulo, que estima que os preços médios serão de US$ 46 neste ano com o aumento do volume excedente. Segundo ele, a alta é insustentável. O economista projeta que a oferta global abundante poderá se expandir.

Uma maior oferta das minas de baixo custo pode estar a caminho neste semestre. A australiana Fortescue Metals Group, quarta maior exportadora do mundo, disse na quarta-feira que poderá superar seu guidance de embarques anuais depois que seus carregamentos tiveram uma alta de 6 por cento no período de três meses até março. O projeto Roy Hill, da bilionária australiana Gina Rinehart, em Pilbara, também está ampliando a produção neste ano rumo à meta anual de 55 milhões de toneladas.

"Nós continuamos a esperar que ambos os mercados de minério de ferro e de aço tenham grandes excedentes neste ano", disse Caroline Bain, economista de commodities da Capital Economics. "Esperamos que os preços do minério de ferro e de aço voltem a cair drasticamente à medida que nos aproximamos da segunda metade do ano."

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