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AIE prevê redução da oferta excedente de petróleo no 2º semestre

Grant Smith

(Bloomberg) -- Com os preços mais baixos atingindo a produção de fora da Opep, os mercados internacionais de petróleo "chegarão perto do equilíbrio" no segundo semestre do ano, disse a Agência Internacional de Energia (AIE).

O excedente mundial diminuirá para 200.000 barris por dia nos últimos seis meses do ano, contra 1,5 milhão no primeiro semestre, disse a agência em um relatório, nesta quinta-feira. A produção de fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo terá a maior queda desde 1992 com o tropeço da expansão do petróleo de xisto do EUA. A abundância global também está sendo contida pelo fato de o Irã estar restaurando as exportações apenas gradualmente porque continua havendo barreiras financeiras para as vendas mesmo após o cancelamento das sanções internacionais.

"Não há dúvida quanto ao caminho para o equilíbrio entre oferta e demanda", disse a assessoria, que tem sede em Paris e presta serviço aos países industrializados. "Existem sinais de que a queda muito antecipada da produção de petróleo leve de xisto nos EUA está ganhando força".

Os preços do petróleo, que atingiram os menores valores em 12 anos em janeiro em meio ao excedente global, subiram 30 por cento nos últimos dois meses, enquanto a Opep e a Rússia trabalham em um plano para limitar sua produção de petróleo. Contudo, sem nenhuma proposta para reduzir a oferta, pouco impacto real será conseguido com o acordo, que deverá ser finalizado em Doha neste fim de semana, disse a AIE. Os futuros do petróleo Brent eram negociados em cerca de US$ 43 o barril nesta quinta-feira, perto do valor mais alto em quatro meses.

Mudança de perspectiva

A perspectiva mais recente representa uma mudança para a agência, que recentemente, em fevereiro, elevou suas estimativas para o excedente global e alertou que o potencial de novas quedas no preço havia se intensificado. A perspectiva de reequilíbrio dos mercados antes do fim do ano está ganhando força entre os analistas. O Credit Suisse, por exemplo, projetou na quarta-feira que os estoques cairão no terceiro trimestre.

A oferta de fora da Opep cairá em cerca de 700.000 barris por dia neste ano, para uma média de 57 milhões ao dia. Embora a produção de xisto dos EUA "venha sendo mais resiliente aos preços mais baixos e à queda na atividade de perfuração do que o esperado", há cada vez mais evidências "de que os declínios de produção estão acelerando", disse a AIE. A produção de petróleo do país caiu para menos de 9 milhões de barris por dia na semana passada pela primeira vez em 18 meses, reportou a Administração de Informação de Energia dos EUA na quarta-feira.

Crescimento do consumo

A AIE, que afirmou no mês passado que poderá reduzir as projeções para a demanda do petróleo em meio à desaceleração da atividade econômica, disse que continuava confiante de que o consumo mundial de combustível subirá em 1,2 milhão de barris por dia em 2016, ou em 1,2 por cento. A Índia está perto de superar a China como "o principal motor de crescimento da demanda global", segundo a agência.

A Opep continua bombeando cerca de 1,2 milhão de barris por dia a mais que a média exigida no primeiro semestre do ano, mostrou o relatório. Os 13 membros do grupo produziram 32,47 milhões de barris por dia em março, uma redução de 90.000 por dia em relação a fevereiro, devido a interrupções na Nigéria, nos Emirados Árabes Unidos e no Iraque.

O Irã, que viu três anos de sanções ao petróleo serem canceladas em janeiro após um acordo relacionado ao seu programa nuclear, ampliou a produção em 400.000 barris por dia desde o início do ano, para 3,3 milhões. Contudo, com as sanções financeiras em curso, o ritmo de seu retorno é "mais comedido do que algumas pessoas esperavam", disse a AIE.

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