Economistas se dividem quanto a acerto de juro negativo do Japão

Keiko Ujikane e Cynthia Li

(Bloomberg) -- Após dois meses de taxas de juros negativas e turbulência nos mercados do Japão, as opiniões dos economistas sobre se o banco central tomou a decisão certa estão divididas.

Nove dos 17 economistas sondados pela Bloomberg afirmam que o Banco do Japão errou ao adotar a nova política e oito dizem que acertou. A entidade anunciou a medida em 29 de janeiro e colocou-a em prática em 16 de fevereiro, quando passou a cobrar parte das reservas em dinheiro das instituições financeiras.

Para o banco central, só o tempo dirá se acertou. O integrante do comitê de política monetária Yutaka Harada declarou nesta semana que ainda é cedo demais para avaliar o impacto da política. Muitos investidores não estão dispostos a esperar. Os dados disponíveis até agora mostram que a inflação ainda não acelerou, os rendimentos de aproximadamente 70 por cento dos títulos públicos japoneses estão abaixo de zero, os fundos de renda fixa de curto prazo pararam de aceitar dinheiro e a política foi atacada pelo maior banco japonês.

"A política de juros negativos atraiu fortes críticas, não só das instituições financeiras, que tiveram os lucros comprimidos, como também de pessoas comuns", comentou Yasunari Ueno, o economista-chefe de mercados da Mizuho Securities, em Tóquio. "É difícil haver qualquer expansão dos juros negativos no futuro, a menos que a situação mude subitamente."

Sete dos economistas que veem erro na adoção dos juros negativos dizem que a medida não vai impulsionar nem a inflação nem o crescimento, segundo a pesquisa conduzida entre 8 e 13 de abril. Um disse que a política pode colaborar para o crescimento econômico e a alta de preços, mas que outras medidas teriam sido melhores. Um alertou que a decisão pode prejudicar a produtividade.

Mais opções

Entre os que apoiam a decisão do Banco do Japão, cinco disseram que os juros negativos combinados com medidas de incentivo quantitativo e qualitativo ajudarão a impulsionar a inflação e o crescimento. Um disse que isso pode não acontecer, mas que a política limitou a valorização do iene.

A introdução dos juros negativos deu ao banco central mais opções, ajudou a baixar os custos de empréstimo de longo prazo para empresas não financeiras e limitou a apreciação cambial, escreveu Takuji Okubo, economista-chefe da Japan Macro Advisors, em Tóquio. "O afrouxamento também causou achatamento agressivo da curva de juros", ele disse.

O presidente do banco central, Haruhiko Kuroda, informou que os mercados financeiros do país estariam em pior estado se a entidade não tivesse adotado os juros negativos.

"Realmente não acho que a introdução dos juros negativos tenha dado errado ou causado a apreciação do iene e a queda das bolsas no Japão", afirmou Kuroda durante uma sessão de perguntas e respostas na Universidade Columbia, em Nova York.

Confiança dos empresários

A confiança dos empresários e a perspectiva econômica das pessoas físicas piorou desde 29 de janeiro. Embora os juros nos novos empréstimos sejam os menores já registrados, o que deveria incentivar a tomada de financiamentos, o crescimento dos empréstimos se desacelerou em fevereiro e março.

O iene se valorizou cerca de 11 por cento em relação ao dólar desde a decisão, o índice de referência do mercado acionário Topix caiu 5 por cento e o índice bancário desabou 15 por cento.

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