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Estrategistas se mostram pessimistas com mercado na Alemanha

Sofia Horta e Costa e Carolynn Look

(Bloomberg) -- No ano passado, as bolsas alemãs ainda figuravam entre as favoritas dos investidores na Europa. Agora, até mesmo os estrategistas, que começaram o ano com previsões otimistas, se tornaram pessimistas.

O índice de referência, o DAX, cairá 1,6% neste ano, segundo a média de treze projeções compiladas pela agência de notícias Bloomberg. A queda constituiria o primeiro declínio anual desde 2011 para o indicador, que subiu quase o dobro do que os outros da região desde que atingiu um valor mínimo nesse ano.

Os estrategistas diminuíram suas previsões para o final do ano em toda a região em meio ao crescente pessimismo em relação aos lucros. Antes preferidas porque as exportações as tornavam resilientes à economia em problemas da Europa, as empresas do DAX têm sido punidas pela desaceleração da demanda global e pelo fortalecimento do euro.

Embora o índice tenha se recuperado mais rapidamente do valor mínimo atingido em fevereiro que o Stoxx 600, a preocupação com que uma piora da perspectiva para o crescimento freie um rali que devolveu mais de US$ 200 bilhões às ações alemãs em dois meses está crescendo.

"Mesmo não tendo parecido assim ultimamente, a situação continuará sendo bastante dura", disse Ralf Zimmermann, estrategista do Bankhaus Lampe em Düsseldorf, Alemanha. Ele espera um ganho anual de 0,5% no índice alemão.

"O DAX é impulsionado principalmente por acontecimentos globais e suas ações estão muito expostas ao ciclo global de negócios - as condições para um impulso ao crescimento não existem".

Perdas

O DAX perdeu 5,8% neste ano, um pouco menos que o índice Stoxx Europe 600. Ao mesmo tempo, o custo das opções que protegem contra mais oscilações nas ações alemãs alcançou o nível mais alto em relação à região desde maio. Os estrategistas diminuíram a média para a meta do fim do ano do DAX de 11.664 pontos em janeiro para 10.569. Eles projetam que o Stoxx 600 encerre 2016 quase inalterado.

Como o recuo do crescimento chinês está afetando as exportações, a confiança do investidor alemão se encontra agora perto do patamar mais baixo desde 2014, mesmo depois de o Banco Central Europeu ter aumentado o estímulo em março.

As medidas não conseguiram suprimir uma alta do euro frente ao dólar, já que as expectativas dos investidores quanto aos momentos escolhidos pelo Federal Reserve para fazer mais aumentos nas taxas de juros foram adiadas. Juntos, a China e os EUA figuram entre os maiores sócios comerciais da Alemanha.

As empresas alemãs estão sentindo o aperto. A BMW, cujas ações caíram 20 por cento neste ano, apresentou uma perspectiva discreta para 2016 e informou um aumento de só 1,7 por cento nas entregas na China, o maior mercado automotivo do mundo e o maior comprador de automóveis alemães.

A Daimler --que recuou 19%-- projetou um declínio nas vendas de caminhões neste ano em meio à queda da demanda nos EUA e à desaceleração do mercado brasileiro.

Os lucros da Bayer ficaram aquém das projeções depois que sua unidade agrícola sofreu um golpe pela queda dos preços das commodities. A Henkel, fabricante do xampu Schwarzkopf, disse que terá problemas para cumprir sua meta de vendas.

Projeções

Guillermo Hernández Sampere, diretor de trading da MPPM em Eppstein, Alemanha, diz que ele ainda é otimista. As ações estão baratas e a avaliação para o DAX é de 12,3 vezes os lucros estimados, valor próximo do maior desconto em relação ao Stoxx 600 desde que a Bloomberg começou a compilar os dados em 2005.

"Em comparação com outros índices, o DAX ainda tem poder", disse Hernández Sampere. "Suas empresas aprenderam bem de crises anteriores. A confiança do mercado poderia ser pior do que a situação".

Contudo, muitos preferem manter a cautela. Um fundo negociado em bolsa que acompanha as ações alemãs sofreu a retirada de quase US$ 630 milhões desde fevereiro.

"O DAX precisa que a confiança das empresas aumente", disse Kevin Lilley, gerente de fundos da Old Mutual Global Investors em Londres. "Poderíamos aproveitar a chegada de mais algumas influências positivas para fazer com que as pessoas invistam e consumam de novo".

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