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Bloomberg View: Bancos europeus têm oportunidade de contratar

Duncan Mavin*

(Bloomberg) -- Este é o momento ideal para que os bancos de investimento da Europa comecem a contratar.

Sim, eles enfrentam um conjunto desanimador de resultados trimestrais que serão anunciados durante as próximas semanas. Sim, a receita será muito menor que a do ano passado, e isso aumentará a pressão para que os executivos cortem custos, inclusive os custos com funcionários.

Mas dois fatores presentes no outro lado do Atlântico significam que dificilmente haja outro momento melhor para que a Europa invista em profissionais.

Em primeiro lugar, os grandes concorrentes americanos que também estão sofrendo com os últimos meses horríveis também estão encarando as reduções de custo com maior seriedade.

O Goldman Sachs disse nesta semana que as despesas com remuneração e benefícios - que inclui salários e bônus - caíram 40 por cento no primeiro trimestre em relação ao ano anterior. Referindo-se à perspectiva de mais cortes no futuro, o diretor financeiro do Goldman, Harvey Schwartz, disse aos investidores o seguinte:

"Eu diria simplesmente que somos acionistas e estamos fazendo o que se espera que os acionistas façam".

O Goldman Sachs não é o único. O Morgan Stanley reduziu em 19 por cento a remuneração no primeiro trimestre e seu programa de redução de custo tem até nome próprio: "projeto de aperfeiçoamento". Mais demissões podem vir pela frente.

Embora não seja novidade que executivos de bancos percam seus empregos, a diferença desta vez é que até os bancos que tiveram um desempenho relativamente bom nos últimos anos estão enxugando ao máximo. E isso significa que há profissionais disponíveis para as empresas que estiverem dispostas a pagar.

A segunda mudança que beneficia uma campanha agressiva de recrutamento na Europa são as normas salariais mais duras em Wall Street. As autoridades americanas propuseram na quinta-feira normas que obrigarão os executivos de bancos a esperar quatro anos para receber a maior parte de seus bônus e também a devolver esse dinheiro se as empresas sofrerem perdas.

É muito provável que essas normas enfrentem um lobby duro, e elas poderão ser amenizadas. Elas não são tão restritivas quanto às regulamentações vigentes no Reino Unido e na Europa. Mas elas vão mudar um pouco a situação e ajudar a difundir a noção de que Nova York não é um paraíso totalmente seguro para os executivos que foram dispensados de bancos em Londres, Frankfurt ou Paris.

Claro que uma onda de contratações não será fácil. Os bancos estão sendo pressionados a abandonar áreas de negócios inteiras. Os acionistas querem ver os custos cair com receita - que deve despencar entre um quinto e um quarto nos três primeiros meses, se é que se pode confiar nas previsões dos analistas e nos resultados que já saíram nos EUA.

E os profissionais de primeira linha não serão facilmente atraídos para os bancos de investimento europeus, especialmente para aqueles como o Deutsche Bank, o Credit Suisse e o Barclays, que estão passando por grandes reestruturações, onde talvez o formato futuro do banco parece incerto.

A chave talvez seja a comunicação. Os diretores de bancos precisarão explicar que estão estabelecendo um equilíbrio entre a redução de custos em áreas que não estão produzindo retornos e o investimento em profissionais que poderia valer a pena no futuro. Eles precisam dar ênfase à qualidade em detrimento da quantidade.

Eles também terão que articular com eficiência para os possíveis novos contratados por que eles deveriam entrar em empresas que estão fazendo ajustes tão visivelmente - isso significa oferecer mais que opções de ações a avaliações extremamente baixas e transmitir uma visão além da redução de custos.

Realizar contratações agora é uma aposta inusitada que poderia demorar um pouco para valer a pena: os novos funcionários precisam se acomodar e os mercados precisam entrar no jogo. Mas se agora há uma disponibilidade de bons profissionais que não existia antes, seria um erro não investir no futuro.

Para os presidentes de bancos de investimento europeus que estão pensando no longo prazo, esse poderia ser o momento de agir.

*Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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