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Bloomberg View: Por que EUA não querem saída do Reino Unido da UE

Os Editores

(Bloomberg) -- Duzentos e quarenta anos depois de seu país ter rasgado de forma ostensiva a carteirinha de membro do Império Britânico, o presidente dos EUA vai a Londres pedir que os britânicos não façam a mesma coisa com a carteirinha da Europa. É certo atrevimento, mas Barack Obama não tem apenas o direito, mas também a obrigação, de expor seu ponto de vista.

Obama, sem dúvida, é esperto o suficiente para tratar o assunto com sutileza. Como a maioria das pessoas, os britânicos também não gostam que líderes de outros países lhes diga o que eles têm que fazer. A mensagem dele deveria ser simples, algo mais ou menos assim: a saída da Grã-Bretanha da União Europeia, que será decidida no referendo do dia 23 de junho, vai abalar profundamente o Reino Unido e todos os seus parceiros comerciais em um momento em que a economia mundial está longe de ser forte. O Reino Unido precisa analisar tudo o que está em jogo, não só para si mesmo, mas também para seus amigos.

A Grã-Bretanha vai sair da UE?

Em um ponto, a posição de Obama sobre o Reino Unido e a Europa é um pouco forçada. Quem defende a saída teme principalmente o modo em que a UE enfraqueceu a soberania de seus estados-membros, ou seja, a capacidade de se governar como acharem melhor. Muitos americanos poderão compreender esse sentimento: como observou Boris Johnson, prefeito de Londres e líder da campanha pela saída, os EUA defendem sua própria soberania com "vigilância histérica". É impensável que os EUA optassem por um acordo semelhante à UE para si.

Mas a Grã-Bretanha optou e se beneficiou enormemente ajudando a criar um "mercado comum" profundamente integrado. Os custos de se desvincular desses complexos compromissos comerciais - sem nenhuma garantia de que haverá acordos melhores para substituí-los e sem nenhum motivo para acreditar que a UE seria amigável nesse divórcio - seriam enormes. Diante de tudo isso, o aumento da soberania real e útil que resultará poderia ser pequeno.

Na segunda-feira, o Tesouro do Reino Unido publicou um relatório detalhado sobre os custos potenciais da separação. Não se trata de um documento imparcial - afinal de contas, o governo está fazendo campanha para que a Grã-Bretanha continue no bloco -, mas as estimativas de custo são confiáveis. No cenário que o Tesouro considera mais plausível, o custo anual da redução do comércio (e, com ela, da desaceleração do crescimento da produtividade) seria de aproximadamente 6 por cento do PIB por volta de 2030.

O custo real poderia ser muito mais alto ou muito mais baixo, dependendo de como os acontecimentos se desenrolem, o que é imprevisível. No entanto, não é possível negar os riscos. O perigo é ainda maior porque os defensores da saída estão divididos entre si sobre o que deveria acontecer depois: eles não conseguiram explicar adequadamente quais acordos alternativos defendem nem como esperam garanti-los.

É verdade que o interesse dos EUA na decisão tomada pela Grã-Bretanha talvez seja um pouco mais complexo do que Obama admite. Sua opinião de que a Grã-Bretanha seria um aliado mais valioso sendo parte da UE do que como nação independente, por exemplo, é discutível. Mas o cálculo econômico é mais claro. A economia mundial está enfraquecendo, e os remédios habituais não estão funcionando bem. A saída da Grã-Bretanha seria um choque econômico grave para o Reino Unido, a Europa, os EUA e o restante do mundo. É a última coisa que os EUA ou qualquer outro amigo iriam querer, e é isso que Obama deveria dizer.

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