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China procura ativos de ouro à venda para alimentar demanda

Bloomberg News

(Bloomberg) -- Mineradoras de ouro da China planejam aumentar a maior onda de compras em quatro anos enquanto o país procura uma maior influência na indústria global. A perspectiva pode estar ajudando a elevar o preço dos ativos, da Austrália aos EUA.

Alguns dos maiores produtores do país dizem que querem aproveitar o crescimento do ano passado, quando o país gastou mais em ativos de ouro no exterior desde 2011. Negócios no exterior por empresas sediadas na China continental em 2015 quadruplicaram desde o ano anterior para US$ 483 milhões, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. Grupos maiores, incluindo Zijin Mining Group, Zhaojin Mining Industry e Shandong Gold Group levaram a uma onda de consolidação doméstica que somou US$ 5 bilhões em aquisições nos últimos cinco anos.

A China é o maior produtor e usuário de ouro do mundo e começou a fixar preços em Xangai esta semana para tentar estabelecer uma referência regional e reforçar sua influência no mercado global. Com limitados recursos internos e crescente demanda, as empresas chinesas estão procurando abocanhar ativos no exterior quando os preços se recuperam depois de tocar o ponto mais baixo em quase 6 anos, em dezembro.

"Um ambiente de preço do ouro saudável sempre estimula a atividade, mas talvez um fator maior seja a maturidade das empresas de ouro na China", disse Peter Grosskopf, CEO da Sprott, a administradora canadense de recursos que ganhou nome investindo em ouro. "Elas são gananciosas, todas as empresas chinesas são. Quando começarem a olhar para o exterior, será um fator maior para M&A do que o preço do ouro", disse ele em uma entrevista em Hong Kong este mês.

O ouro subiu 18 por cento em 2016, depois de três anos de perdas, com os investidores reduzindo as expectativas dos aumentos das taxas de juro nos EUA e a turbulência nos mercados financeiros estimulando a procura dos refúgios tradicionais. Tem sido uma das commodities com melhor desempenho em meio a uma queda na qual as maiores mineradoras reduziram custos e venderam ativos para enfrentar uma derrota mais ampla nos preços dos metais.

Boa oportunidade

Zijin Mining, a maior empresa de ouro da China em valor de mercado, vê mais oportunidades no ciclo atual. "As empresas de mineração global estão vendendo ativos de alta qualidade agora, então esta é uma rara oportunidade para os investidores chineses, incluindo Zijin, comprarem ativos de primeira linha", disse o presidente Chen Jinghe em uma resposta por e-mail às perguntas. Zijin foi responsável pelo maior investimento de ouro no exterior da China no ano passado, a compra de uma participação de 50 por cento na operação Porgera da Barrick Gold em Papua Nova Guiné por US$ 298 milhões.

A Zijin caiu 1,6 por cento em Hong Kong na sexta-feira, cortando o ganho deste ano para 22 por cento.

Pesquisa agressiva

Os preços do ouro continuam bem abaixo da alta de 2011, de US$ 1.921 a onça, e a China está conectando seu interesse com as mineradoras ocidentais estabelecidas, que querem vender ativos. O ouro à vista era negociado a US$ 1.246,68 a onça em Londres na sexta-feira.

"Estamos agressiva e ativamente à procura de bons ativos de ouro de alta qualidade que vão agregar valor adicional a nosso portfólio", disse Pan Guocheng, CEO da China Hanking, em uma entrevista em Hong Kong este mês. "Vamos focar no IPO em primeiro lugar. Assim que isso for concluído, então vamos estar em melhor forma para aquisições. Queremos estabelecer nossa presença no mercado de capitais australiano e obter apoio de investidores para apoiar mais aquisições. "

Janela dourada

A Zhaojin Mining Industry, quarto maior produtor doméstico, avalia que o preço do ouro está no piso do atual ciclo, abrindo uma janela de oportunidade nos próximos anos para aquisições.

A Shandong Gold Group, segundo maior produtor da China, também está buscando crescer no exterior para alimentar a crescente demanda local, afirmou seu gerente geral, Li Guohong, em entrevista em Xangai. Seu foco está tanto na região "One Belt One Road" - cobrindo Ásia, Europa e África - e América do Norte, disse ele.

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