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Libra mostra como temor por 'Brexit' começa a parecer exagerado

Marianna Aragao e Anooja Debnath

(Bloomberg) -- É como se um peso estivesse sendo tirado dos ombros dos investidores da libra.

Um indicador dos riscos para a libra após o referendo de 23 de junho sobre a adesão britânica à União Europeia teve a maior queda desde que o país escapou por pouco de um resultado inconclusivo na eleição geral do ano passado. E embora ainda seja a moeda de pior desempenho do mundo desenvolvido em 2016, a libra foi a maior ganhadora da última semana.

A moeda britânica tem sido um barômetro do sentimento durante o debate do referendo: atingiu o menor valor dos últimos sete anos em relação ao dólar cerca de uma semana depois que a data da votação foi anunciada e subiu agora que o lado da "permanência" está ganhando força. Essas últimas oscilações apontam um otimismo renovado de que o Brexit (neologismo para "saída britânica", em inglês) será evitado e sugerem que os investidores estão reavaliando se exageraram nas apostas contra a libra.

"Existe, em essência, uma mudança de percepção em relação à probabilidade do Brexit", disse Richard Benson, diretor-gerente e um dos responsáveis pelo investimento do portfólio em Londres na Millennium Global Investments, que administra US$ 16 bilhões. "O movimento não é tanto pelo lucro das pessoas, mas sim porque as pessoas estão interrompendo seus prejuízos nas posições em libras".

Risco dos especuladores

A libra cairia 15% em relação aos níveis atuais se o Reino Unido decidisse sair da UE no referendo, disse Benson. Isso resultaria em uma queda para cerca de US$ 1,23 depois que a moeda tocou a maior alta em quase três meses, de US$ 1,4579, na terça-feira. Ele acrescentou que a decisão pela permanência resultaria em um salto de 3% a 5%.

Há muito a perder caso a libra continue sua sequência recente de ganhos. Os hedge funds e outros grandes especuladores colocaram as apostas líquidas em uma libra mais fraca no nível mais alto em quase três anos, de 55.152 contratos, na semana que terminou em 19 de abril, segundo a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA, em Washington. Até novembro eles estavam otimistas em relação à moeda britânica.

Houve muitas outras mudanças, em particular desde que começou a campanha oficial do referendo, em 15 de abril. Antes, uma série de pesquisas mostrava os dois lados do debate disputando virtualmente cabeça a cabeça e uma em cada três pessoas estava indecisa sobre como votar.

Na semana passada, os pró-europeus assumiram liderança. O Bloomberg Brexit Tracker coloca a probabilidade de saída do Reino Unido da UE em cerca de 20%. Uma pesquisa ORB/Telegraph publicada nesta terça-feira indicou que 51% dos britânicos votariam pela permanência e que 43% desejam a saída.

"Brexit" ou "Bremain"?

"A libra está tendo um bom desempenho por causa do 'Bremain'", disse Neil Jones, chefe de vendas de hedge fund do Mizuho Bank em Londres, usando um neologismo para "permanência britânica". "Ficamos tão obcecados com o que acontecerá se ocorrer um Brexit que esquecemos de ponderar se o Brexit realmente ocorrerá".

Jones prevê que a libra subirá para mais de US$ 1,45, possivelmente para US$ 1,50, à medida que o risco de saída do maior mercado comum do mundo diminuir.

A libra também está se recuperando em relação a outras moedas. Ela se valorizou pelo oitavo dia consecutivo em relação ao euro em sua mais longa sequência de apreciação desde junho.

"Faz sentido tirar algum risco da mesa" se os investidores ganharam dinheiro com a desvalorização da libra no primeiro trimestre, disse Grant Peterkin, gerente de recursos em Genebra na Lombard Odier Investment, que administra cerca de US$ 164 bilhões. "Mas a volatilidade da libra permanecerá à medida que nos aproximarmos do referendo".

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