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Presidente do Standard Chartered prevê desafio iminente para receita

Stephen Morris

(Bloomberg) -- Bill Winters, CEO do Standard Chartered, prevê que continuará havendo oscilações erráticas nos mercados internacionais pelo menos até o fim deste ano, complicando suas iniciativas para redinamizar os lucros e reestabelecer o dividendo do banco voltado para a Ásia.

Reavivar receitas "deprimidas" em face à lentidão da economia e à queda de preço das commodities é "o grande desafio", disse Winters em uma entrevista à Bloomberg Television com Francine Lacqua oito meses após assumir o cargo. O banco poderia restabelecer os dividendos neste ano, se continuar melhorando.

Mas antes ele quer ver como será o desempenho da empresa em um momento em que os mercados emergentes onde ela opera enfrentam ventos contrários que poderiam agitar novamente os investidores.

"Prevejo uma volatilidade muito alta durante o resto deste ano e provavelmente até o ano que vem", disse Winters, 54. "Ainda é cedo para falar de aversão aos ativos de risco. Poderíamos ver episódios de verdadeira aversão ao risco".

O Standard Chartered deu um salto de 9,8% na terça-feira depois de anunciar queda em imparidade de crédito e melhora nos níveis de capital durante o primeiro trimestre. Winters, contratado em junho com a missão de recuperar o banco em dificuldades, vendeu 19 empresas e identificou US$ 100 bilhões em ativos de risco que ele pretende reestruturar ou abandonar.

"Espero que possamos aumentar o ganho durante este ano", disse o CEO. Historicamente, os funcionários deram prioridade a "aumentar o ganho na receita e não se concentravam tanto nos retornos. Passamos a enfocar os retornos e nessa transição sempre existe o risco de perder o foco do crescimento. Acho que conseguimos atingir esse equilíbrio. Precisamos voltar a crescer com nossos clientes".

Assumir riscos

Winters buscou reduzir o balanço do banco depois de anos de crescimento desenfreado e reduziu os ativos em 12% no ano passado. O CEO disse que descobriu uma "frouxidão" no modo em que o banco era administrado quando ele entrou, desenvolvida durante anos de bom desempenho.

Os acionistas têm dado "bastante apoio" a suas iniciativas, disse ele. No entanto, acrescentou, eles também desempenham um papel no sentido de incentivar a assumir riscos excessivos quando definem metas de crescimento não realistas.

A ação caiu mais de dois terços do seu nível de 1.856 pences em 2010.

Paul Ewing-Chow, porta-voz da Temasek Holdings, maior acionista do banco, não quis comentar. A empresa estatal de investimento de Cingapura se tornou o maior investidor do Standard Chartered há dez anos e detém cerca de 16 por cento das ações, conforme dados compilados pela agência de notícias Bloomberg.

'Elástico'

Durante a entrevista, em que diversos assuntos foram discutidos, o ex-presidente do banco de investimento do JPMorgan Chase disse que os preços do petróleo provavelmente se estabilizarão em torno dos patamares atuais ou subirão.

O maior risco estrutural do mundo, disse Winters, é que as medidas extraordinárias tomadas pelos bancos centrais para estimular a economia acumulem desequilíbrios.

"É um pouco parecido com estirar tanto um elástico que ele corre o risco de arrebentar", disse ele.

Embora no trimestre os lucros antes de impostos tenham caído 64% e a receita, 24%, as ações eliminaram as perdas no ano. Isso colocou o Standard Chartered em um grupo de apenas cinco grandes bancos europeus com retorno positivo em 2016.

"Os ganhos foram pobres e a lucratividade é pobre", disse Winters. "O mercado considerou nossos ganhos como uma espécie de sinal estimulador porque, na minha opinião, entendeu algo que nossos clientes sempre souberam: há milhares de negócios para fazer e estamos bem posicionados para fazê-los".

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