Bolsas

Câmbio

Fink, da BlackRock, defende medidas fiscais contra juro negativo

Miles Weiss

(Bloomberg) -- Laurence D. Fink, presidente da maior gestora de ativos do mundo, disse que os governos precisam adotar estímulos fiscais para impulsionar suas economias, unindo-se a um crescente coro de investidores que diz que o mundo tem contado com políticas monetárias por muito tempo.

As políticas monetárias "saíram da pista", com alguns bancos centrais levando as taxas de juros para o território negativo, disse Fink nesta quarta-feira em entrevista a Erik Schatzker na Bloomberg Television. Ele chamou a política de juros negativos do Banco do Japão de "equívoco absoluto" e alertou que sem medidas fiscais as perspectivas seriam "sombrias".

"Se continuarmos tendo essa dependência mundial das políticas monetárias, acho que o cenário será muito sombrio", disse Fink, cuja empresa, a BlackRock, administra US$ 4,7 trilhões para os clientes. "Estamos prejudicando os poupadores em todo o mundo com taxas de juros baixas e negativas".

Os comentários de Fink ecoam os de importantes investidores, como Ray Dalio, chefe do maior hedge fund do mundo, e Bill Gross, cofundador da Pacific Investment Management. Dalio disse em fevereiro que o próximo passo em termos de política monetária seria mirar os consumidores, e não investidores e poupadores, por meio de medidas como o envio direto de dinheiro às pessoas. Gross afirma há algum tempo que é necessário adotar medidas fiscais para complementar a política monetária.

Embora alguns países, como Espanha e França, não tenham espaço para aumentar os gastos, os EUA e o Reino Unido verão uma ênfase nas medidas fiscais, disse Fink. Esses estímulos permitiriam que o Federal Reserve começasse a elevar as taxas de juros mais agressivamente, reduzindo a quantidade de dinheiro que os consumidores precisam separar para necessidades futuras, como aposentadoria e educação. Eles poderiam, assim, gastar mais em bens e serviços, impulsionando o crescimento econômico.

"Se virmos um caminho rumo a mais políticas fiscais e mais investimento em infraestrutura até 2017, poderemos ter uma segunda rodada de alta das ações, poderemos ver a política monetária mudar rapidamente e, neste caso, poderemos ver os juros subirem mais rapidamente do que projetamos", disse Fink. "Os juros poderiam subir modestamente", disse ele, o que "seria muito bom para os poupadores" e daria um impulso às ações de bancos e commodities, acrescentou.

Fink projeta que o Fed provavelmente fará uma "pausa" na elevação das taxas de juros neste ano, limitando os aumentos a 25 pontos-base em 2016. Ele acrescentou que a economia não está crescendo tão rapidamente quanto o Fed havia estimado.

 

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos