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Campanha alemã por carros elétricos beneficia Infineon e STMicro

Stefan Nicola e Marie Mawad

(Bloomberg) -- O programa de incentivo aos carros elétricos da chanceler Angela Merkel, de 1,2 bilhão de euros (US$ 1,4 bilhão), representa uma vantagem para outro setor que busca tirar proveito do distanciamento da gasolina: o de fabricação de chips, no qual operam empresas como a alemã Infineon Technologies.

O programa de subsídios, que começa em maio com descontos para a compra de veículos e planos de instalar 15.000 estações de recarga de bateria, se traduzirá em cerca de US$ 300 milhões em chips até 2019, disse Günther Hollfelder, analista do Baader Bank. A Infineon, que divulgará os lucros do segundo trimestre na terça-feira, deverá ficar com a maior parte desse total, disse ele.

"Ninguém está mais bem posicionado que a Infineon para aproveitar a iniciativa dos carros elétricos, porque a empresa está entre os principais operadores tanto no setor automotivo quanto no de semicondutores de potência", disse Hollfelder. A STMicroelectronics é outra beneficiária devido ao amplo portfólio de chips de potência e fortes laços com o setor automotivo, em particular na Itália e na França, seus mercados domésticos, disse ele.

Fabricantes de automóveis populares como a PSA Peugeot Citroën e de alto padrão como a Daimler prometeram desafiar a Tesla Motors no segmento de carros elétricos e deverão receber um impulso quando o programa de Merkel reduzir o preço dos veículos para o consumidor. Esta é uma notícia bem-vinda para as fabricantes de chips que buscam novas fontes de receita em um momento de desaceleração da demanda pelos semicondutores usados em smartphones e tablets.

As consequências do escândalo de manipulação de emissões da Volkswagen poderão aumentar as vendas dos novos modelos, beneficiando "substancialmente" fabricantes de chips como a Infineon, a STMicroelectronics e a NXP, disse Anand Srinivasan, analista do setor de semicondutores da Bloomberg Intelligence.

Entre os novos modelos eletrônicos e híbridos, estão o híbrido plug-in sedã S90 da Volvo, esperado para este ano, e o SUV híbrido da Volkswagen, o T-Prime GTE, que a empresa apresentou no salão de Pequim, em abril. A Daimler, que delineou planos para aumentar os investimentos em carros elétricos em fevereiro, busca produzir um carro elétrico com autonomia de 500 quilômetros e fornecerá mais detalhes sobre o veículo neste ano. O Model 3, o carro mais barato da Tesla, está previsto para o final de 2017.

Os chips controlam tudo, desde o fluxo de eletricidade até os airbags e os faróis de LED, e os carros eletrônicos e os híbridos plug-in são especialmente lucrativos para empresas como a Infineon e a STMicro porque possuem um conjunto de semicondutores avaliado em cerca de US$ 700 por veículo -- aproximadamente o dobro da quantia em carros comuns. O mercado de chips automotivos deverá aumentar para US$ 38 bilhões em 2019, contra US$ 29 bilhões no ano passado, projeta a NXP Semiconductors.

Plug-ins e híbridos

A Infineon produz chips para a maioria das fabricantes de veículos, incluindo BMW e Tesla, e tem um longo histórico de fabricação de semicondutores de potência para aplicações industriais como fontes, transmissão de energia e trens de alta velocidade. A empresa deverá tirar proveito dos novos incentivos.

"O mercado de carros elétricos crescerá e a Infineon crescerá junto com ele", disse Stephan Zizala, que dirige a divisão de chips para carros elétricos e híbridos da Infineon. A empresa é uma "operadora forte" em áreas de crescimento relacionadas, disse ele, citando a produção e a transmissão de energia renovável e as estações de recarga de bateria.

Embora a Europa se mantenha como um dos maiores mercados automotivos, é possível que venha um impulso ainda maior da Ásia. A China, que ainda importa a maioria dos chips que utiliza, quer 5 milhões de "veículos de novas energias" -- totalmente elétricos ou híbridos -- nas ruas do país até 2020 para reduzir as emissões produzidas pelos escapamentos e a dependência em relação ao petróleo importado.

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