Bolsas

Câmbio

Ouro supera US$ 1.300 com perspectiva de enfraquecimento dólar

Jasmine Ng e Thomas Biesheuvel

(Bloomberg) -- Após ser desprezado por três anos, o ouro está retornando com força. Os preços subiram brevemente para mais de US$ 1.300 a onça com a especulação de que o banco central dos EUA continuará o processo de aperto da política monetária com lentidão, reforçando o apelo do metal em meio à queda do dólar.

O lingote para entrega imediata subiu 0,4%, para US$ 1.296,20 a onça às 10h17 em Londres. Na segunda-feira, o preço chegou a US$ 1.303,82, segundo medição feita pela agência de notícias Bloomberg. O ouro subiu 22% neste ano e chegou ao maior valor desde janeiro de 2015, enquanto um indicador para o dólar caiu 6,3%.

Os investidores acumularam lingotes em 2016 depois que os preços caíram por três anos seguidos porque os riscos para a economia global levaram o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) a sinalizar que adotará uma abordagem mais lenta para elevação dos juros.

Embora o apelo do metal também tenha sido impulsionado pela propagação das taxas de juros negativas na Europa e no Japão, a última subida do ouro veio depois que o Banco do Japão decidiu evitar adicionar novos estímulos na semana passada, o que prejudicou o dólar.

O salto para mais de US$ 1.300 na segunda-feira se deu em um momento em que muitos mercados financeiros na Ásia e na Europa estavam fechados.

A alta foi impulsionada pela queda do dólar e pelo alto volume de entrada nos produtos negociados em bolsa, disse o Commerzbank nesta terça-feira.

"O preço do ouro sem dúvida também encontrou apoio na continuidade da política monetária flexível buscada pelos grandes bancos centrais. É grande a probabilidade de as taxas de juros nos EUA permanecerem em seu baixo nível atual por mais algum tempo".

ETPs incham

Os investidores colocaram recursos em produtos negociados em bolsa (ETPs) respaldados por lingotes, revertendo uma tendência de três anos de encolhimento desses ativos. As posições aumentaram 1,2%, para 1.780,7 toneladas, na segunda-feira, maior aumento desde fevereiro, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Alguns analistas disseram que a alta poderá durar mais algum tempo. O ouro pode chegar a subir para US$ 1.400, disse o BNP Paribas no mês passado. Em março, o ABN Amro Group -- que começou o ano pessimista em relação ao ouro e reverteu sua perspectiva -- aumentou sua meta para o fim do ano para US$ 1.370 devido à expectativa de juros baixos.

O avanço impulsionou uma alta das ações do setor de mineração. A Barrick Gold e a AngloGold Ashanti mais do que duplicaram seu valor neste ano.

Perspectiva para os juros

A probabilidade de taxas de juros mais elevadas nos EUA até o fim do ano é de 59,8 por cento, uma queda em relação aos 93,3 por cento registrados em janeiro, mostram dados dos contratos de futuros.

O chamado novo normal futuro para as taxas de juros poderia ser mais baixo do que a mediana das estimativas do Fed, disse o presidente do Federal Reserve de São Francisco, John Williams, em conferência na segunda-feira.

Os EUA cresceram apenas 0,5% no primeiro trimestre, ritmo mais lento em dois anos. Nesta semana, a divulgação dos números mensais de emprego dará pistas sobre a força da maior economia do mundo e ajudará a dar forma à perspectiva para a política monetária dos EUA.

O Goldman Sachs está entre aqueles que mantiveram uma perspectiva pessimista, pelo menos até 22 de abril. O banco com sede em Nova York disse em nota, naquele dia, que ainda estima que o fortalecimento maior do mercado de trabalho dos EUA forçará o Fed a elevar os juros, prejudicando o ouro. O banco projetou os preços em US$ 1.100 dentro de três meses.

Título em inglês: Gold Crosses $1,300 Threshold as Rates Outlook Undermines Dollar

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos