Análise: Faltam opções de ações na China

Christopher Langner

(Bloomberg) -- Quem investe na China está descobrindo que uma ótima forma de assumir uma posição em um mercado sem se comprometer completamente é a simples compra de opções. Se houvesse mais opções, talvez as autoridades não tivessem que intervir tanto. É claro, é possível que ocorram mais alguns colapsos acionários ao longo do caminho, mas, em última análise, o uso de derivativos poderia transformar Xangai e Shenzhen em verdadeiros destinos de investimento.

O número de opções que estão mudando de mãos no China 50 Exchange-Traded Fund atingiu alta recorde no mês passado, reportou a Bloomberg News. O contrato, o único desse tipo na China, celebrou seu primeiro aniversário em fevereiro. A China não permitiu a negociação de futuros de índice até 2010. Eles se tornaram extremamente populares e chamaram a atenção de Pequim após o colapso do mercado de ações, no ano passado.

Em setembro, a Bolsa de Futuros Financeiros da China (CFFE, na sigla em inglês) decidiu que a abertura de mais de 10 contratos para um único produto de futuros de índice nos índices CSI 300, SSE 50 e CSI 500 seria definida como "negociação anormal". A medida matou aquele que havia rapidamente se transformado no maior mercado de futuros de índice de ações do mundo e o interesse aberto caiu para os níveis de 2012.

A decisão da CFFE parece ter surgido pelo que foi visto como uma especulação excessiva no mercado de derivativos, que pode ter exagerado a espiral negativa das ações. O que as autoridades não viram é que se os futuros estavam ajudando na correção, então eles estavam meramente cumprindo seu papel de tornar o mercado mais racional e eficiente.

Antes do colapso do início de junho, o índice composto de ações CSI 300 listado em Xangai e Shenzhen havia subido 52 por cento desde 31 de dezembro de 2014.

O volume diário médio no período foi de 34,2 bilhões de yuans (US$ 5,3 bilhões), quase seis vezes o total do mesmo período do ano anterior.

Enquanto durar, esse mercado é ótimo, mas ele simplesmente não é eficiente, razão pela qual, até junho, havia tanto interesse aberto nos poucos futuros de índice de ações disponíveis. Qualquer investidor em sã consciência, a essa altura, começaria a fazer hedge.

Mas quem investe na China hoje conta com escassas opções de hedge. Há, no entanto, apenas um contrato de opção de índice e nenhum para ações individuais, e os futuros são poucos e espaçados.

Qual a real diferença do hedge? O iShares China Large-Cap Exchange-Traded Fund, é negociado publicamente nos EUA e tem mais de 1.000 opções e cerca de 215 contratos futuros associados, e China 50 ETF, negociado publicamente em Xangai, monitora um índice quase idêntico, mas oferece apenas 82 opções para apostar.

Vale pontuar que as oscilações do ETF listado nos EUA não foram tão selvagens. E embora aqueles que investem na América do Norte não tenham colhido tantos lucros no caminho de subida, eles perderam muito menos na descida.

No momento em que a MSCI analisa incluir em seus índices de referência as ações negociadas onshore de empresas chinesas, a disponibilidade ou não de opções se transformará em um assunto mais premente. A MSCI já disse que deseja uma intervenção menor antes de sentir-se confortável o suficiente para abarcar essas ações. Ela deveria começar a pressionar mais também pelos derivativos. Afinal, um mercado começa a se tornar mais maduro e racional apenas quando tem opções.

Essa coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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