Análise: Capital chinês abraça economia mundial

David Fickling

(Bloomberg) -- Em muitos países, a análise financeira é uma confusa mistura de especulação, opinião mal embasada e falácias lógicas. Alguns comentaristas argumentam que o mundo caminha para um futuro brilhante, e outros, que estamos à beira da crise.

Tal confronto de opiniões é positivo, mas quando centenas de ideias estão surgindo e centenas de escolas de pensamento disputam a supremacia, pode ser difícil saber em quem acreditar.

A China rejeita essa abordagem desordenada, segundo uma reportagem de quarta-feira do Wall Street Journal.

A comissão de valores mobiliários, os censores da imprensa e outros representantes do governo têm emitido alertas verbais aos comentaristas cujas declarações públicas sobre a economia divergem dos comunicados otimistas do governo, segundo representantes do governo e comentaristas com conhecimento do assunto.

O Bloomberg Gadfly dá as boas-vindas à oportunidade de discutir a China nesse espírito construtivo.

Ousada em agir, ousada em emprestar

Os tímidos analistas internacionais expressam dúvidas quanto à capacidade de seus países de pagar dívidas. Esse tipo de preocupação não existe na China, onde o total de empréstimos em circulação cresce a um ritmo de dois dígitos desde 2002.

Os bancos se sentem tão confiantes que anteciparam 6,59 trilhões de yuans (US$ 1 trilhão) adicionais em novos financiamentos desde o início do ano, 42 por cento a mais que no primeiro trimestre de 2015. O China Zheshang Bank, que abriu o capital na bolsa de Hong Kong em março, viu seu total de ativos aumentar 50 por cento desde o final de 2014, segundo Nisha Gopalan, do Bloomberg Gadfly.

O setor corporativo não financeiro da China atualmente deve um total equivalente a mais de 175 por cento do PIB, afirmou o Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês) nesta semana -- mais que o dobro da média do mercado maduro, de 87 por cento.

Os cínicos profissionais podem considerar essa expansão de crédito temerária, considerando uma economia que até mesmo os indicadores oficiais sugerem que está crescendo a um ritmo igual ao segundo mais lento desde 1992, pelo menos. Eles podem até mesmo questionar se esse crescimento atualmente vem de melhorias sustentáveis de produtividade ou de uma bolha de crédito.

Esse ceticismo claramente é infundado. O crescimento do crédito é um reflexo da fé rigorosa do mercado nas perspectivas para a China. Essa fé é compartilhada por bancos como o Zheshang; por empresas de seguros de vida que oferecem produtos de gestão de patrimônio; por empresas de pagamentos on-line como a Ant Financial, de US$ 60 bilhões, uma afiliada da Alibaba; e pelos bancos P2P que têm pelo menos 388 bilhões de yuans em empréstimos em circulação, segundo o site de notícias do setor WangDaiZhiJia.

Não existe conexão entre os pedidos para remoção das empresas de finanças sociais das ruas e o risco percebido de distúrbio social depois que quase 1.000 credores on-line entraram em colapso nos últimos 12 meses. Você tampouco deveria perder o sono se uma gestora de ativos ligada ao Estado fosse proibida de emitir novos produtos devido ao risco de um "esquema Ponzi". Esta é apenas uma administração prudente de um setor nascente.

Reforma e abertura

Os pessimistas ficam excitados com o total estimado de US$ 1 trilhão em capital que deixou a China em 2015. Foram US$ 279 bilhões em saídas em fusões e aquisições da China nos últimos 12 meses, acompanhadas por uma tendência de pagar a mais por aquisições e anomalias no registro dos negócios que parecem, para alguns, algum tipo de tentativa de driblar os controles de capitais.

A tentação de ver tudo isso como uma fuga de empresas e indivíduos deveria ser combatida. O capital chinês está simplesmente abraçando a economia mundial, em linha com a política "One Belt, One Road" do presidente Xi Jinping.

Uma vez que os pensamentos incorretos tenham sido exorcizados, está claro que todos os indicadores serão admiravelmente previsíveis e coerentes com sua mensagem: há um futuro brilhante no sonho da China.

Essa coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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