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BOE evita problema de Brexit em preparação de previsões

Scott Hamilton

(Bloomberg) -- A entrevista coletiva de Mark Carney na semana que vem poderia ser importante tanto pelo que ele não disser quanto pelo que ele disser.

Diante da iminência do referendo do Reino Unido sobre a permanência na União Europeia, o presidente do Banco da Inglaterra (BOE) apresentará projeções econômicas para orientar os investidores sobre uma perspectiva que poucas vezes esteve tão envolvida em dúvidas. Ele também tem que atingir um equilíbrio entre o grau de intervenção na dura batalha política e a perspectiva de ser criticado por dizer muito pouco.

"Não posso imaginar que o BOE queira correr algum tipo de risco com os mercados no futuro por causa de um passo em falso", disse Peter Dixon, economista do Commerzbank em Londres. "Esta vai ser uma previsão provisória que dirá que o crescimento é modesto e que a inflação está tranquila, mas aumentando marginalmente de forma moderada, e todos nós vamos fazer de conta que não vemos o grande problema que está debaixo do nosso nariz".

Incerteza

A incerteza produzida pela votação já está sendo sentida, porque a produção fabril está se contraindo e o crescimento está desacelerando. Embora o Comitê de Política Monetária tenha sinalizado que não vai agir apressadamente, os aumentos fracos dos preços ao consumidor e os riscos econômicos significam que o comitê provavelmente manterá sua taxa básica de juros no nível recorde mínimo de 0,5 por cento na quinta-feira. A decisão e as projeções serão publicadas com o relatório trimestral de inflação do banco central em Londres, seguidos de uma entrevista coletiva com Carney.

Entre os acontecimentos que as autoridades terão que avaliar desde as últimas previsões, de fevereiro, estão a libra mais fraca, a alta dos preços do petróleo, um crescimento mais lento que o esperado, ganhos salariais não expressivos e pesquisas empresariais com resultados mais fracos. Embora a Brexit tenha sido culpada por parte do desaquecimento, alguns economistas dizem que esse não é o único fator e que o contexto global apagado e a recuperação desequilibrada também são responsáveis.

Esses problemas, combinados com taxas de juros negativas do Banco Central Europeu e do Banco do Japão e com o receio do Federal Reserve em relação à economia mundial, apoiam a sensação de cautela entre as autoridades britânicas. Os economistas não projetam que o BOE aumente as taxas até 2017 e os investidores não preveem um ajuste até 2019 e estão até mesmo precificando certa chance de uma redução de taxas.

Desafio

Parte do desafio comunicacional tem a ver com as próprias previsões. Embora as autoridades econômicas possam tentar eliminar o impacto possivelmente temporário da incerteza com a Brexit ou produzir projeções separadas com base nos cenários de vitória de uma ou outra opção, ambas as alternativas são improváveis, disse Vicky Redwood, economista-chefe da Capital Economics para o Reino Unido.

"Não se esperaria que especulássemos com os resultados ou com projeções alternativas associadas a diferentes resultados", disse Carney em fevereiro. Mudanças nos preços de ativos, nas taxas de câmbio e na confiança das famílias e das empresas significam que parte dos riscos ligados ao acontecimento já será capturada pelas estimativas das autoridades, disse ele.

Perspectiva

O BOE já tem um histórico de evitar riscos difíceis de calibrar em suas projeções. Em 2011, o então presidente Mervyn King foi criticado após ter dito que as autoridades econômicas não tinham uma forma significativa de quantificar as preocupações com a crise da dívida soberana na zona do euro em suas projeções e por essa razão as excluíram.

Embora as autoridades não ignorem os efeitos adversos do referendo no curto prazo, esses fatores poderiam se dissipar rapidamente se a opção de permanecer na UE triunfar na votação. Nesse cenário, o efeito de um aumento da inflação devido a uma libra mais fraca e à queda das taxas de mercado poderia ter uma incidência maior e levar a uma reavaliação da perspectiva das taxas.

A libra esterlina se depreciou cerca de 3,5 por cento em uma base ponderada pela cotação comercial desde a publicação do último Relatório de Inflação em fevereiro.

"Sem sombra de dúvida, tudo o que eles disserem estará supeditado ao referendo", disse Dixon do Commerzbank. "De fato, eles estão fazendo isso porque são obrigados a fazer, mas eu acredito que todos nós sabemos que essa é uma operação em compasso de espera até podermos ter mais clareza".

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