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Volatilidade de ativos preocupa gigantes de Wall Street

Andrea Wong e Oliver Renick

(Bloomberg) -- Há muita volatilidade, mas o que aconteceu com o volume?

Das ações e moedas aos títulos, o aumento da turbulência no começo do ano está perseguindo praticamente todos os traders dos mercados financeiros. Apesar da recente recuperação das ações dos EUA, o volume no índice S&P 500 caiu 23 por cento. As apostas especulativas no direcionamento das moedas também despencaram para o patamar mais baixo dos últimos dois anos e a média de negociação diária entre traders de títulos do Tesouro dos EUA está perto do ponto mais baixo em sete anos.

Os temores quanto às perspectivas para os EUA, a Europa e a China, além dos sinais contraditórios emitidos pelas políticas econômicas de bancos centrais de todo o mundo, contribuíram para o que o CEO do UBS Group, Sergio Ermotti, afirmou ser uma "volatilidade paralisante" que está assustando os clientes e que fez com que a receita de negociação em todo o setor caísse para o patamar mais baixo desde 2009.

No entanto, de certo modo, ela também ressalta o caráter variável do próprio mercado. Os grandes bancos reduziram as negociações porque as regulamentações implementadas após a crise, como Dodd-Frank e Basileia III, os obrigam a assumir menos riscos, particularmente em renda fixa. Só no ano passado, Wall Street eliminou mais de 20.000 postos de trabalho, e as mesas de negociação foram as mais afetadas pelo corte. Embora os traders automatizados tenham aparecido para preencher essa lacuna, há quem diga que eles tornaram o mercado mais propenso a choques repentinos.

A preocupação do investidor com a situação da economia mundial está intensificando "a pressão estrutural que vem afetando os bancos nos últimos anos", disse Paul Gulberg, analista do setor bancário da Portales Partners.

Oscilações violentas

Normalmente, o aumento da volatilidade tende a gerar mais atividade de negociação, porque os traders querem apostar em qual será o direcionamento definitivo do mercado, de acordo com Gulberg. Não foi o caso desta vez. As oscilações violentas nos ativos sacudiram praticamente todos em um momento em que aumentou a preocupação com o estado da economia mundial e com a efetividade das taxas de juros negativas e da flexibilização quantitativa.

No começo do ano, apenas seis semanas angustiantes foram suficientes para que o S&P 500 perdesse 11 por cento e, depois, em apenas cinco semanas, ele se recuperou de todas as perdas. Além do mais, tudo isso aconteceu meses após a queda de agosto: é a primeira vez desde 1998 que os investidores do bull market sofreram duas oscilações do tipo em pouco tempo.

Mesmo depois que as ações se recuperaram, em janeiro, a negociação caiu. A média do volume nos EUA foi de 7,2 bilhões de ações por dia desde o piso, em comparação com 9,3 bilhões de ações por dia nas primeiras seis semanas do ano, mostram dados compilados pela Bloomberg. As movimentações diárias no S&P 500 também tiveram uma média de 0,84 por cento desde agosto, em contraste com 0,55 por cento nos dois anos anteriores.

"Estamos vendo grandes deslocamentos nos mercados neste ano", disse Atul Lele, diretor de investimento da Deltec International Group. "Não é o tipo de volatilidade em que se observa o surgimento de oportunidades".

Moedas e títulos

Um quadro semelhante está se formando em outros mercados. Após colocarem uma quantidade recorde de contratos futuros em dezembro, os traders reduziram as apostas no direcionamento do dólar em relação a oito moedas de importância porque a volatilidade disparou. A última vez em que a convicção esteve tão fraca em termos de posicionamento foi em 2014.

Nos títulos do Tesouro, que há muito são considerados o mercado mais profundo e seguro do mundo, a média do volume diário entre traders primários caiu para US$ 444 bilhões em abril, um pouco acima do piso registrado em dezembro de 2009. Isso ocorreu depois que algumas medidas indicaram que as oscilações nos yields de títulos do Tesouro com vencimento em 10 anos subiram para patamares recorde, de acordo com a TD Securities.

"A situação mundial é frágil, no melhor dos casos", disse Bob Savage, CEO da CCTrack Solutions, hedge fund com sede em Nova York.

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