Análise: Sauditas não devem mudar política para petróleo

Liam Denning

(Bloomberg) -- Mohammed bin Salman, segundo na linha de sucessão do trono da Arábia Saudita, vê "elementos" de Mark Zuckerberg em si mesmo. Porém, o príncipe tem um trabalho bem mais difícil: agir rápido sem quebrar nada.

Por isso, as mudanças do fim de semana em Riad, incluindo a partida do ministro de Petróleo de longa data, Ali Al-Naimi, não devem ser interpretadas como precursoras de uma virada na política para o petróleo, que poderia ameaçar a estratégia que o príncipe abraçou.

É difícil exagerar os desafios envolvidos na concretização das reformas do príncipe, reunidas no slogan "Visão 2030". A Arábia Saudita se ergueu sobre a renda gerada por um acidente geológico de nascença. Mas o dinheiro do petróleo vem com o custo de suprimir os impulsos de inovação e fazer a burocracia crescer feito mato.

O anúncio da saída de Al-Naimi foi o item da longa lista de decretos reais publicados no fim de semana que gerou mais noticiário, mas foi acompanhado de 73 outros itens. O número 10 chamou menos atenção, mas foi bastante instrutivo:

Emenda para o nome da Comissão de Avaliação da Educação Pública se tornar Comissão de Avaliação da Educação, devendo assumir as tarefas e responsabilidades relativas à avaliação da educação pública e superior no Ministério da Educação e na Corporação de Treinamento Vocacional; e devendo combinar a Comissão Nacional para Avaliação e Credenciamento Acadêmico, o Centro Nacional para Avaliação da Educação Superior e o Centro de Avaliação e Credenciamento Vocacional e Técnico; o presidente do conselho de diretores deve ser nomeado por ordem real.

Dê parabéns a você mesmo se conseguir chegar ao fim da frase sem sua mente viajar para questões mais interessantes, como lavar a roupa. Você merece ainda mais se tiver admirado por um segundo o esplendor bizantino das instituições superiores de ensino da Arábia Saudita.

É aí que está o desafio do príncipe.

O desejo de reformas dele é firme. A ascensão do petróleo de xisto e a os esforços crescentes para limitar as emissões de dióxido de carbono derrubaram a antiga suposição de que o valor das reservas de petróleo da Arábia Saudita simplesmente cresceria com o tempo, como dinheiro na poupança.

A economia precisa mudar e é preciso encontrar empregos produtivos para uma população relativamente jovem. No longo prazo, consolidar feudos sobressalentes de educação é tão importante quanto colocar o Ministério do Petróleo e as responsabilidades da indústria sob Khalid Al-Falih, presidente do conselho da Saudi Aramco.

Mas ao mudar o reino de direção, o príncipe precisa ter certeza de que as rodas do sistema não se desprenderão.

É notável que, na ampla reorganização do fim de semana, apenas quatro dos que saíram de seus cargos não foram oficial e imediatamente transferidos para o comando de outro órgão nem permanecerão oficialmente na corte na posição de conselheiros. Isso é ajudar as pessoas a lidar com mudanças.

Acima de tudo, o príncipe precisa manter o impulso. Estagnação mata reformas. E nada incentivaria mais a estagnação do que uma alta súbita da cotação do petróleo.
Isso não quer dizer que a Arábia Saudita se apaixonou pelo barril a US$ 40.

Mas um salto nos preços traria riscos próprios, aliviando as pressões por trás do desejo de não depender tanto do petróleo e estimular outros setores. Esse aumento também seria interessante para os produtores de petróleo de xisto, que veem o barril a US$ 50 como convite para voltar a perfurar, e para as forças conservadoras.

Escrevi na sexta-feira passada que um grande motivo para o mercado de petróleo não surtar com os incêndios no Canadá é que a política atual da Arábia Saudita age como tranquilizante.

Ainda assim, a produção por não integrantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo está claramente recuando por causa dos preços baixos do barril e muitos esperam que os estoques inchados comecem a diminuir ainda neste ano. Este é o momento pelo qual a Arábia Saudita vem aguardando, como prova de que sua política está funcionando.

Com essa perspectiva tão perto de se concretizar --e o Plano Nacional de Transformação com prazo curto--, não se espera que a Arábia Saudita defenda um corte na produção na reunião da Opep no mês que vem. Além de atrapalhar o processo de reequilíbrio do mercado, seria um passo para trás para o príncipe que agora precisa andar para frente.

Esta coluna não reflete necessariamente as opiniões da Bloomberg LP ou seus proprietários.

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