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Defensores de permanência do Reino Unido na UE focam na economia

Jillian Ward

(Bloomberg) -- Prepare-se para uma investida pró-União Europeia.

Nesta semana, os eleitores atentos à batalha carregada de emoções sobre o futuro do Reino Unido escutarão pesos-pesados que já alertaram sobre os riscos de saída do mercado comum.

O chanceler do Tesouro britânico, o presidente do Banco da Inglaterra e a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional deverão falar a respeito, e o Instituto Nacional de Pesquisa Econômica e Social do Reino Unido compartilhará sua visão sobre as consequências da Brexit. O primeiro-ministro David Cameron deu o pontapé inicial na ofensiva nesta segunda-feira com um discurso que se concentrou em como a UE ajudou a promover a paz na Europa.

Com a aproximação do referendo do país sobre sua adesão à UE, os defensores da permanência colocaram a economia no centro da batalha, argumentando que os britânicos não ficariam tão bem fora do bloco. Como cerca de 20 por cento dos eleitores ainda estão indecisos e pesquisas mostram que a incerteza já está prejudicando o crescimento, esses argumentos poderiam ser fundamentais para o resultado.

"Quando todos estes personagens econômicos vierem a público falar, haverá um efeito cumulativo", disse o diretor de pesquisa política e social da YouGov, Joe Twyman. "Este é um argumento que está sendo colocado repetida e seriamente pela campanha em favor da permanência, porque estes atores sabem que a economia é a questão mais importante para muita gente".

As intervenções têm vindo rapidamente e em grandes quantidades. Figuras importantes como o presidente dos EUA, Barack Obama, e o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, têm insistido na argumentação pela permanência, e os defensores da Brexit dizem que esses argumentos são alarmistas. Donald Trump disse que a imigração na Europa o fez acreditar que os britânicos estariam "melhor" fora do mercado comum.

Cameron citou a importância da UE na construção da paz em um discurso realizado em Londres e disse também que a adesão fortaleceu a economia do Reino Unido.

"A União Europeia tem ajudado a reconciliar países que brigavam há décadas", disse ele. "A evidência é clara. Ficaremos melhor dentro e mais pobres se sairmos".

Esta onda ajudou a obscurecer a perspectiva para a política monetária e o crescimento, intensificando o desafio das projeções para a cúpula do Banco da Inglaterra. O banco central publicará novas projeções em seu relatório trimestral de inflação na quinta-feira, junto com sua decisão para os juros e as atas da reunião de maio.

BOE

Apesar de que todos os economistas tenham projetado, em uma pesquisa da Bloomberg, que a taxa básica será mantida em 0,5 por cento, e a maioria veja uma votação unânime, analistas do Bank of America Merrill Lynch dizem que um ou dois dos nove integrantes do painel poderiam votar por um corte.

Embora as autoridades monetárias afirmem que tratarão os dados com cautela até o referendo de 23 de junho, um indicador de serviços, setor que responde pela maior parcela da economia, atingiu desde então o nível mais baixo em mais de três anos. Isso poderá "testar a paciência dos pessimistas", segundo Alan Clarke, economista do Scotiabank.

Carney, que insiste em sua neutralidade em relação ao debate, foi criticado por alguns parlamentares por expressar visões que, segundo eles, apoiam a permanência. O presidente do banco central britânico, que deverá conceder uma entrevista coletiva sobre a perspectiva econômica na quinta-feira, respondeu às críticas afirmando que seria "político" da parte dele suprimir a análise de risco do banco central.

A campanha pela Brexit ganhou alguma exposição na mídia na segunda-feira quando Boris Johnson disse que o referendo é uma escolha entre "ser arrastado cada vez mais para um superestado federal ou adotar uma postura agora".

"A questão se resume a recuperar o controle do nosso dinheiro ou entregar mais 100 bilhões de libras a Bruxelas até a próxima eleição", disse ele, em discurso, em Londres.

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