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Goldman: A busca por rendimento está apenas começando

Tracy Alloway

(Bloomberg) -- "Quando penso que estou fora, eles me puxam de volta", disse Don Corleone, em tom de brincadeira, no filme O poderoso chefão.

Os gestores de fundo de crédito poderiam dizer o mesmo. Eles praticamente não participaram do recente rali da dívida de grau especulativo e agora se veem forçados a entrar de novo nessa briga por terem tido um desempenho pior que o do mercado geral. 

Uma nova nota publicada pelo Goldman Sachs ressalta o quanto a vida dos gestores de títulos se tornou muito mais complicada, porque noventa por cento dos fundos de dívida de yield alto gerenciados ativamente não conseguiram superar seus índices de referência neste ano. 

Em questão está a rápida inversão dos mercados de crédito: os títulos de grau especulativo despencaram no final do ano passado e encenaram uma estrondosa recuperação em março e abril. A dívida com yield alto agora oferece um retorno acumulado no ano de 6,4 por cento após ter se recuperado do pior início de ano já registrado até meados de fevereiro, quando essa classe de ativo chegou a cair 5 por cento, de acordo com dados do Goldman.

"Foi fundamental para o desempenho inferior o posicionamento defensivo dos fundos de yield alto no começo do ano, que mantiveram saldos de caixa elevados e convicção baixa em um momento em que o petróleo, a recessão e os temores à redenção reverberavam nos mercados de crédito. No entanto, essa estratégia defensiva deixou os fundos com investimentos insuficientes quando os mercados de dívida de alto rendimento e de petróleo mudaram de rumo, de forma súbita e simultânea, em meados de fevereiro", escreveu Bridget Bartlett, do Goldman, em um relatório intitulado "Search for yield just getting started" ('A busca por yield está só começando').

A falta de novas vendas de títulos por parte de empresas mais arriscadas está intensificando o difícil ambiente de negociação, e para os investidores em títulos fica mais complicado acompanhar o ritmo da inversão desenfreada nos mercados de dívida, acrescentou ela. 

"Enquanto os fundos tentam alcançar seus índices de referência, os gestores de títulos ficam mais motivados a reduzir o espectro de qualidade para encontrar o [desempenho superior] alfa", escreveu Bridget. "Achamos que isso intensificará a 'busca por yield' que já começou por causa da flexibilização da política monetária mundial".

Bridget observa que os investidores em dívida já estão convergindo para as fatias mais seguras do mercado de crédito, e US$ 38 bilhões dos títulos com grau de investimento agora são negociados com prêmio de risco maior que 500 pontos-base - em contraste com o impressionante valor de US$ 271 bilhões registrado no piso do mercado de crédito, no dia 11 de fevereiro.

O desempenho inferior ao mercado geral provavelmente estimulará os investidores a comprar dívidas mais arriscadas, mas com yield mais alto, emitidas por empresas com balanços mais frágeis, disse Bridget. 

"Achamos que o desempenho inferior dos fundos de yield alto vai acelerar a próxima fase da tendência de busca por yield. Os investidores reduzirão a qualidade no espectro de yield alto e chegarão a títulos classificados como B- e CCC- para conseguir um desempenho alfa", concluiu.

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