Bolsas

Câmbio

Novo ministro saudita do petróleo deve manter produção recorde

Anthony DiPaola

(Bloomberg) -- A Arábia Saudita provavelmente continuará produzindo petróleo bruto perto de patamares recorde sob o comando do recém-nomeado ministro do Petróleo, Khalid Al-Falih. O maior país exportador do mundo dará continuidade à política do ministro anterior: defender a participação de mercado frente ao petróleo de xisto, que tem custos maiores.

Al-Falih, que também é presidente do conselho da produtora estatal Saudi Arabian Oil, disse no domingo, seu primeiro dia no cargo, que manterá a política petrolífera do reino.

Seu antecessor, Ali al-Naimi, conduzia uma política de priorizar as vendas em detrimento dos preços desde 2014, o que tirou do mercado alguns produtores de custo mais alto, como as exploradoras de xisto dos EUA.

Ao fazer isso, a Arábia Saudita aumentou a produção, intensificando o excesso de oferta. A estratégia dá sinais de que está funcionando neste ano e os preços subiram mais de 60 por cento depois de terem chegado ao piso de 12 anos em janeiro.

A Arábia Saudita poderia superar sua produção recorde de mais de 10,5 milhões de barris diários se intensificar a extração para atender ao aumento sazonal da demanda doméstica durante os meses do verão do Hemisfério Norte, disseram analistas da Emirates NBD e da Qamar Energy.

O país, que possui a segunda maior reserva de petróleo do mundo, extraiu 10,27 milhões de barris por dia em abril.

"Se o mercado considerar que a nomeação é um sinal de continuidade da política saudita isso permitiria que os preços continuem seguindo a tendência gradual para cima", disse Edward Bell, analista de commodities da Emirates NBD, em entrevista por telefone no domingo, do banco com sede em Dubai.

A continuidade da política saudita poderia ser compensada pelo impacto imediato dos incêndios em florestas canadenses, que provocaram uma diminuição de 1 milhão de barris da produção diária, disse ele.

A Arábia Saudita nomeou Al-Falih no sábado para chefiar o Ministério de Energia, Indústria e Recursos Minerais, ampliado recentemente. Ele entra no lugar de al-Naimi, veterano com 20 anos no cargo.

Al-Falih assume o ministério responsável pela maior parte da receita do país em um momento em que o maior produtor e líder efetivo da Opep embarca em uma reforma econômica para tornar-se menos dependente do petróleo.

"A Arábia Saudita manterá suas políticas relativas ao petróleo", disse Al-Falih em um comunicado no domingo. "Continuamos comprometidos a preservar nosso papel nos mercados internacionais de energia e a fortalecer nossa posição de provedor de energia mais confiável do mundo".

Príncipe Mohammed

Analistas consideram que Al-Falih poderia adotar uma postura mais linha-dura dentro da Opep para sustentar a política saudita de defesa da participação de mercado.

Ele é um aliado muito próximo do vice-príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, que optou por uma política de não interferência, deixando que os mercados definissem os preços do petróleo bruto em vez de definir uma meta. O príncipe está permitindo que o mercado dite os preços e a Arábia Saudita está apenas ajustando sua produção em resposta à demanda.

"Al-Falih provavelmente será mais direto com seus parceiros da Opep, como a Venezuela e o Irã", disse Fabio Scacciavillani, economista-chefe do Fundo de Investimento de Omã, em entrevista em Dubai no domingo. "Esse compromisso não tem em vista a próxima reunião da Opep. É um compromisso para os próximos dez anos e mais".

A Venezuela, dona da maior reserva de petróleo bruto, e o Irã, concorrente regional da Arábia Saudita, pressionam por uma redução da produção em épocas de preços baixos. O Irã, que está deixando para trás sanções econômicas internacionais, está voltando a colocar oferta no mercado e desafia os sauditas na disputa por novos compradores na Ásia.

A reunião organizada pela Arábia Saudita e pela Rússia em Doha no mês passado terminou sem chegar a um acordo sobre o plano de congelar a produção para sustentar os preços depois que o Irã se recusou a restringir sua produção.

"Enquanto a oferta e a demanda estiverem em equilíbrio é improvável que haja alguma alteração significativa na produção saudita", disse Scacciavillani. "A política saudita de energia responde à realidade dos mercados, não é uma questão de escolha".

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos