Estrategista do Bank of America alerta para turbilhão de notícias negativas

Joe Weisenthal

(Bloomberg) -- Os mercados estão calmos no momento. Calmos demais.

O Volatility Index da Bolsa de Opções de Chicago (CBOE), um indicador da volatilidade implícita, está perto de seus níveis mais baixos no ano. Faz mais um mês que o S&P 500 oscilou mais de 1% em qualquer direção pela última vez.

E boa parte do que deixou as pessoas realmente preocupadas no início do ano --do aumento dos calotes corporativos ao pouso forçado chinês, passando pelo fim da munição dos bancos centrais-- foi colocado em banho-maria.

Mas alguns estrategistas dizem que essa calmaria esconde uma tempestade.

Em participação na Bloomberg TV, na segunda-feira, a chefe de estratégia quantitativa e ações dos EUA do Bank of America Merrill Lynch, Savita Subramanian, alertou para o "turbilhão de manchetes negativas" que chegará em junho e que poderia prontamente derrubar o S&P 500 para 1.850 --de volta para perto dos patamares mínimos registrados em fevereiro.

Entre os fatores citados por ela estão o iminente referendo da Brexit, a decisão de junho do Federal Reserve e a eleição americana.

"Estamos nos aproximando cada vez mais da eleição mais polarizada que já vimos em nossas carreiras. Por isso, há muito com que se preocupar", disse Subramanian. "Uma das coisas que notamos é que cerca de seis meses antes de novembro, em um ano eleitoral, o mercado normalmente atinge o pico e tende a cair".

Ela acrescentou que o Fed está em modo de aperto durante um período de recessão dos lucros corporativos, o que não é normal.

Subramanian não é a única a prever problemas no próximo trimestre. Em nota a clientes, na semana passada, Andrew Sheets, estrategista-chefe de ativos cruzados do Morgan Stanley, fez um trocadilho com um velho ditado: "Venda em maio e vá embora".

Ele observou que abandonar o mercado de ações entre maio e novembro "funcionou" no passado devido aos poucos declínios drásticos durante o período, em oposição à fraqueza generalizada durante estes meses. Assim, uma abordagem melhor, diz Sheets, é comprar a volatilidade em maio.

Assim como Subramanian, Sheets vê motivos particulares para ser cauteloso neste ano:

"Existem catalisadores fundamentais que poderiam justificar uma volatilidade mais elevada neste verão [do Hemisfério Norte]? Achamos que sim, incluindo: o referendo da UE no Reino Unido e as eleições espanholas, em junho, a recuperação da China, que desconfiamos que poderá perder força por volta de agosto ou setembro; e o nosso ceticismo quanto à sustentabilidade da recuperação do preço do petróleo. E a liquidez do mercado, estruturalmente mais baixa, certamente não prejudica o argumento em favor da posse de volatilidade, na nossa visão".

Em particular, ele prefere hedge contra quedas nos mercados emergentes, coloca spreads sobre as dívidas com rendimentos altos dos EUA e classifica as opções do S&P 500 como uma forma mais cautelosa de apostar no lado comprado das ações.

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