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Goldman vê queda forte de títulos do Japão se estímulo aumentar

Susanne Walker Barton e Anchalee Worrachate

(Bloomberg) -- Um ano depois do "acesso de raiva dos títulos alemães", ou "bund tantrum", eliminar mais de US$ 750 bilhões em valor das dívidas soberanas globais, o Goldman Sachs vê o Japão como possível origem da próxima forte queda internacional dos títulos.

Os títulos soberanos do Japão impulsionaram uma alta mundial em 2016, quase como os títulos da zona do euro no ano passado, e o Goldman Sachs diz que a dívida do país asiático atualmente parece estar sobrevalorizada.

O perigo é que o Japão possa desencadear uma queda forte se seu banco central expandir os estímulos fiscais e monetários, distanciando-se dos cortes nos juros, segundo Francesco Garzarelli, codiretor de pesquisa global macro e de mercados do Goldman Sachs em Londres.

A postura se baseia também na movimentação do Banco do Japão (BOJ, na sigla em inglês) rumo a medidas de flexibilização do crédito. Embora no passado os estímulos tenham sido bons para os títulos no Japão, na zona do euro e nos EUA, eles podem minar o valor dos títulos de renda fixa se gerarem inflação.

Se o banco com sede em Nova York estiver certo e ocorrer uma queda forte no Japão, isto fará com que os investidores em títulos internacionais que desfrutaram do melhor primeiro trimestre desde 1997 tenham motivos para temer a evaporação desses ganhos.

Queda 'em solidariedade'

"Uma expansão fiscal convincentemente grande e efetiva no Japão, acomodada por uma maior flexibilização do BOJ, poderia ser suficiente para transformar as dinâmicas do mercado e ter ramificações internacionais", disse Garzarelli, em entrevista. "Os títulos globais teriam uma queda forte em solidariedade".

Os investidores foram pegos de surpresa no ano passado quando os primeiros sinais de inflação e crescimento econômico na zona do euro geraram uma queda dos títulos, que começou na Europa com os chamados bunds alemães e se espalhou pelo mundo.

O rendimento dos títulos alemães de 10 anos subiu mais de um ponto percentual em menos de dois meses, de uma mínima recorde de 0,049% em 17 de abril para cerca de 1,057% em 10 de junho.

O Bloomberg Global Developed Sovereign Bond Index perdeu mais de US$ 750 bilhões em valor de mercado entre 29 de abril e 5 de junho do ano passado.

Com os rendimentos dos títulos dos países desenvolvidos novamente perto de mínimas históricas, a sensibilidade deles a qualquer oscilação nos juros, medida por um indicador conhecido como duração, está perto de uma alta recorde.

Isto significa que uma queda forte seria particularmente dolorosa para os detentores de títulos, porque com uma duração maior, um dado aumento nos rendimentos provoca um declínio maior do preço.

O JPMorgan e o Crédit Agricole, por sua vez, disseram não ver sinais de que outra queda forte dos títulos seja iminente.

Os rendimentos podem estar baixos, argumentam, mas as avaliações não são extremas, considerando que a inflação continua sob controle. Indicadores técnicos, como o índice de força relativa, não apontam uma sobrevalorização. Nikolaos Panigirtzoglou, estrategista do JPMorgan e ex-economista financeiro do Banco da Inglaterra, vê "uma baixa probabilidade" de que ocorra um choque similar no mercado de títulos a curto prazo.

--Com a colaboração de Yumi Ikeda e Garfield Reynolds

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