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Investidores globais fogem de ETF de Hong Kong

Kana Nishizawa

(Bloomberg) -- Independentemente de as ações de Hong Kong subirem ou caírem, os investidores no maior fundo negociado em bolsa (ETF, na sigla em inglês) dos EUA que acompanha essas ações só querem ir embora.

Traders retiraram US$ 142 milhões líquidos do ETF iShares MSCI Hong Kong em maio, que caminha para o 11° mês consecutivo de fluxos de saída líquidos e a sequência mais prolongada de declínios já registrada. Embora o índice acionário subjacente tenha caído 2,6 por cento neste mês, os investidores foram vendedores líquidos até mesmo em março, quando o indicador teve o maior rali em quatro anos.

Para a Standard Life Investments, Hong Kong está sofrendo um excesso de notícias ruins. A desaceleração da China está afetando tudo, do comércio às vendas do varejo, um sistema político deficiente está adiando a promulgação de leis e estimulando pedidos de independência, e o Goldman Sachs prevê que os preços das casas despencarão 20 por cento em uma cidade onde as empresas são dominadas por um punhado de magnatas do setor imobiliário.

"No decorrer dos últimos doze meses, aproximadamente, houve poucas notícias boas e uma série de notícias preocupantes", disse Andrew Milligan, o diretor de estratégia global da Standard Life, que administra cerca de US$ 365 bilhões, em Edimburgo. "Não surpreende que alguns tenham dito: 'Acho que essa história chegou ao fim e preciso investir em outro lugar".

Retiradas

O ETF registrado em bolsas dos EUA acompanha o índice MSCI Hong Kong, que representa principalmente empresas locais, como a Hong Kong Exchanges & Clearing, a incorporadora imobiliária Sun Hung Kai Properties e a concessionária de energia elétrica CLP Holdings. O indicador despencou 3,4 por cento na semana passada, o que levou os investidores a retirar US$ 125 milhões líquidos do ETF - a segunda maior venda líquida em um ano.

Os fluxos de saída líquidos registrados desde o fim de junho do ano passado agora totalizam US$ 1,5 bilhão. Uma disparada de 9 por cento do indicador registrada em março não conseguiu seduzir os investidores, que retiraram US$ 31 milhões naquele mês. O índice caiu 1,1 por cento nesta quarta-feira, atingiu o valor mais baixo em dois meses e levou as perdas em 2016 para 3,9 por cento.

As avaliações justificam a compra de ações de Hong Kong. O desempenho lento delas deixou o indicador de ações da cidade feito pela MSCI com desconto de 38 por cento em relação ao indicador global da MSCI com base na relação entre preço e lucros. A cidade também se sai bem no índice de percepções de corrupção da Transparency International e sua dívida em moeda estrangeira tem nota AAA da S&P Global Ratings. Muitas de suas maiores empresas têm lucros no exterior que as protegem dos problemas da economia local.

Desafios

Contudo, os desafios estão se acumulando para a economia de Hong Kong, que, segundo projeções, crescerá neste ano no ritmo mais lento em quatro anos. As vendas no varejo afundaram 12,5 por cento no primeiro trimestre em meio à diminuição no número de visitantes da China Continental. O sequestro de vendedores de livros da cidade, do qual a China é suspeita, gerou preocupação na comunidade internacional quanto à força do estado de direito de Hong Kong, e a obstrução dos trabalhos legislativos feita pelos legisladores opositores está adiando a promulgação de leis.

"Os investidores globais não veem Hong Kong como um mercado ideal porque Hong Kong é impulsionada principalmente pelos imóveis e pelo comércio", disse Pu Yonghao, diretor de investimentos da Fountainhead Partners, que administra cerca de US$ 600 milhões. "O índice imobiliário já está caindo, então por que as pessoas deveriam comprar Hong Kong?".

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