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Medidas protecionistas afetarão mais os emergentes, diz HSBC

Isobel Finkel

(Bloomberg) -- Todos perdem em um mundo de comércio exterior reduzido, mas alguns perdem mais que outros.

Esta é a conclusão de um novo relatório de economistas do HSBC Holdings, que diz que o aumento das medidas protecionistas, que vêm reduzindo os volumes de comércio globais, causará um impacto mais duro nos mercados em desenvolvimento e nos ativos deles.

As políticas protecionistas defendidas antes da eleição dos EUA são apenas uma manifestação do temor maior em relação ao mundo exterior, que está dificultando os esforços para tornar o comércio internacional mais aberto, segundo Douglas Lippoldt, economista comercial sênior do HSBC, e Fredrik Nerbrand, chefe global de alocação de ativos do banco.

Após contribuir para o sucesso das políticas isolacionistas nos EUA, um mundo menos aberto também terá amplas implicações para os investidores porque impulsiona a inflação e mina os retornos dos títulos.

Os rendimentos dos títulos subirão, mas eles também se tornarão mais voláteis porque as pressões inflacionárias se tornarão menos previsíveis.

As barreiras comerciais tornarão cada vez mais importante a atenção aos acontecimentos idiossincráticos de origem econômica e política, e não às tendências globais da política monetária. E as economias que dependem das exportações terão problemas.

"O mundo emergente provavelmente tenha mais a perder com esse cenário porque seus modelos de crescimento são, em grande parte, estruturados para atender ao comércio crescente, e não a seu consumo interno", dizem Lippoldt e Nerbrand.

A conclusão deles é que embora os mercados em desenvolvimento estejam entre os maiores entusiastas das medidas discriminatórias em defesa dos produtores locais, elas poderiam não servir aos interesses desses países, porque uma grande parcela do PIB deles é orientada ao comércio exterior.

A análise do HSBC explora o paradigma dos chamados Cinco Frágeis, termo cunhado em 2013 por analistas do Morgan Stanley para descrever cinco mercados emergentes cujas necessidades enormes de financiamento externo os tornaram vulneráveis às mudanças de humor globais.

A teoria se confirmou: o aumento das taxas de juros contribuiu para que as moedas consideradas vulneráveis pelo Morgan Stanley registrassem prejuízos em relação ao dólar americano e prejudicou os retornos dos títulos da maior parte do grupo.

Contudo, o novo relatório do HSBC sugere que o inverso do problema --um déficit em conta-corrente cada vez menor-- não é a cura para essa vulnerabilidade quando há, escondendo-se atrás de um déficit comercial cada vez menor, um declínio nos volumes globais de comércio. Como eles dizem, "um mundo mais protecionista é um mundo mais volátil".

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