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Brexit vai pesar sobre possível fusão Deutsche Börse e LSE

Angela Cullen

(Bloomberg) -- Em sua revisão da fusão entre a Deutsche Börse e a London Stock Exchange, o regulador da bolsa de Frankfurt prestará muita atenção ao referendo no Reino Unido sobre a permanência na União Europeia e ao local da futura sede da empresa fusionada, disse o ministro de Economia do estado alemão de Hesse.

"É claro que devemos levar em conta esse resultado, seja qual for", disse Tarek Al-Wazir em entrevista de Frankfurt na quinta-feira. Ele acrescentou que a avaliação de Hesse se estenderá muito depois da data marcada para a votação, o dia 23 de junho. "Eu não desejo especular. Mas é verdade que obviamente uma decisão em uma situação que abriga incerteza é de relevância particular para nós". O resultado "não altera os parâmetros legais que temos perante nós", disse ele.

As duas bolsas planejam criar uma companhia controladora com sede em Londres, sob a qual operarão. O CEO da Deutsche Börse, Carsten Kengeter, assumiria a chefia da nova entidade e a participação de 54 por cento da bolsa alemã a converteria no maior sócio da fusão, mas a escolha de Londres como base é um obstáculo para os detratores locais da transação, especialmente se o Reino Unido abandonar a UE. Como estado regulador da Bolsa de Frankfurt e da bolsa de derivativos Eurex, Hesse tem poder de veto sobre a transação.

Questionamentos

A operadora de bolsas tem o dever público de garantir o desenvolvimento do mercado em Frankfurt, e Hesse terá que avaliar se isso será possível "sob a construção apresentada", disse Al-Wazir.

Apesar de não defender uma separação entre o Reino Unido e a UE, ele disse que Frankfurt se beneficiaria com uma situação semelhante. Agentes imobiliários da região estão recebendo muitas consultas de empresas com sede em Londres sobre o espaço disponível para escritórios, disse ele.

Kengeter iniciou a transação apesar da incerteza em relação ao futuro do Reino Unido na UE para se adiantar a um possível ofertante dos EUA antes que este se lançasse sobre a LSE. A lógica de construir uma potência das bolsas europeias que atue como contrapeso das operadoras americanas persiste, seja qual for a decisão do Reino Unido, disse o CEO no dia 4 de maio.

Hesse "tem naturalmente interesse por ter operadores europeus fortes no mercado global", disse Al-Wazir. "Também está claro que a Deutsche Börse disse que quer guiar o futuro e estar na vanguarda tecnológica. Independentemente de com quem vai trabalhar ou se o crescimento for obtido por meio de fusões ou aquisições menores".

Duas tentativas malsucedidas anteriores da Deutsche Börse de adquirir a LSE não terão peso na decisão de Hesse dessa vez, disse Al-Wazir.

"Apesar de que anteriormente as promessas feitas resultaram inviáveis duas vezes, é preciso examinar na terceira ocasião se dessa vez poderia sair certo", disse o ministro. "A questão premente é se um progresso gradual pode chegar mediante fusões menores ou se tem que ser um big bang. Mas fica claro que afinal de contas, são necessárias ideias sobre como manter-se à frente da concorrência".

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