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Investidores do Japão destinam US$ 1 bi para ETFs da BlackRock

Kathleen Chu e Komaki Ito

(Bloomberg) -- A BlackRock está levando especialistas para Tóquio para vender fundos negociados em bolsa (ETF, na sigla em inglês) a seguradoras e bancos japoneses afetados pelos yields negativos.

Os investidores institucionais do país colocaram cerca de US$ 1 bilhão nos ETFs de renda fixa da BlackRock desde que o Banco do Japão anunciou no dia 29 de janeiro sua política de taxas negativas, disse Jason Miller, diretor da unidade de ETF em Tóquio da maior fornecedora desse tipo de fundos. A firma com sede em Nova York apresentou nesta semana a seus clientes bancários japoneses um produto que acompanha o desempenho dos títulos do Tesouro dos EUA, com uma opção de cobertura contra riscos cambiais.

"Temos observado uma importante quantidade de fluxos de entrada de instituições japonesas em nossos ETFs globais de renda fixa", disse Miller na quinta-feira em uma entrevista. "A base dessa tendência foi a passagem natural feita por grandes instituições da dívida do governo japonês para as exposições e ações globais de renda fixa. É um processo acelerado pela taxa de juros negativa".

Investidores japoneses compraram o recorde de US$ 46 bilhões em títulos do Tesouro dos EUA somente em março, o que reflete uma queda nos yields de mais de 70 por cento dos papéis do governo local com valores negativos. Mesmo protegidos dos movimentos cambiais, os títulos do Tesouro dos EUA com vencimento em dez anos têm yields mais altos do que as notas soberanas em ienes com os vencimentos mais distantes.

Fluxo líquido

Do fluxo de entrada de US$ 73,8 bilhões para todos os ETFs neste ano, os fundos globais de renda fixa tiveram um fluxo líquido de cerca de US$ 53,4 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg. Como os investidores estão colocando dinheiro nesses produtos, estima-se que US$ 2,2 trilhões tenham abandonado o mercado acionário global.

Diante do recuo das taxas de créditos e dos yields de títulos, os lucros dos maiores bancos japoneses vão cair neste ano fiscal porque a renda obtida com juros está diminuindo. Os bancos eram os maiores detentores de papéis do governo japonês, com 298,3 trilhões de ienes (US$ 2,7 trilhões) até março de 2015, e as seguradoras possuíam 196,6 trilhões de ienes, segundo o Banco do Japão.

O interesse dos investidores japoneses começou com os títulos do Tesouro e a dívida em grau de investimento dos EUA e depois se expandiu para as notas europeias, disse Miller. Os ETFs com renda fixa acompanham uma carteira de papéis, o que significa que os investidores estão expostos aos riscos enfrentados pelos verdadeiros detentores das notas, segundo Stephen Laipply, estrategista de ETF e diretor administrativo da BlackRock.

Rendimentos

O iShares U.S. Treasury Bond 7-10 Year JPY Hedged ETF da BlackRock oferece um rendimento de 1,74 por cento e de 0,6 por cento depois do hedge, segundo a empresa. Essas taxas se comparam com um yield de 0,33 por cento para os títulos do governo japonês com vencimento em quarenta anos, a dívida soberana do país com o vencimento mais distante.

A BlackRock tinha US$ 285 bilhões em ETFs de renda fixa sob gestão no fim de 2015, 30 por cento a mais que no ano anterior e mais de metade dos fundos desse tipo no setor, disse a empresa.

"Os ETFs de renda fixa têm tido um crescimento muito maior que o do conjunto dos ETFs", disse Miller. "No Japão, isso só está começando, então esse crescimento pode parecer ainda mais interessante em uma perspectiva de porcentagens, mas temos muito a fazer em matéria de instrução e conscientização".

Título em inglês: BlackRock Lures $1 Billion to Bond ETFs in Japan on Minus Rates

Para entrar em contato com os repórteres: Kathleen Chu em Tóquio, kchu2@bloomberg.net, Komaki Ito em Tóquio, kito@bloomberg.net, Para entrar em contato com os editores responsáveis: Telma Marotto tmarotto1@bloomberg.net, Patricia Xavier

©2016 Bloomberg L.P.

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