Análise: Marcas esportivas da China estão voltando

Nisha Gopalan

(Bloomberg) -- Nike e Adidas, prestem atenção. As fabricantes de roupas esportivas da China estão em sua melhor forma nos últimos tempos.

Os esforços do país para virar uma economia mais orientada ao consumo fizeram pouca diferença para as marcas esportivas domésticas, que passaram por três anos difíceis em meio à desaceleração da economia enquanto lidavam com as consequências da expansão excessiva após as Olimpíadas de Pequim.

Agora elas parecem mais leves e prontas para competir novamente, auxiliadas por cortes em redes de lojas, pelo crescimento dos canais de venda on-line e por uma campanha respaldada pelo governo para incentivar o estilo de vida saudável.

A mudança em relação a dois anos atrás é grande. Quando Pequim se preparava para receber as Olimpíadas, em 2008, as empresas de roupas esportivas começaram a se expandir agressivamente e as principais marcas adicionaram, cada uma, cerca de 1.000 pontos de venda todos os anos entre 2007 e 2011, segundo Dawei Feng, analista da CLSA.

A demanda ficou abaixo do previsto e as vendas foram prejudicadas pelas imitações baratas e pela concorrência da expansão de redes internacionais de marcas como Zara, H&M e Uniqlo.

As grandes marcas esportivas chinesas agora estão desalavancadas. A Anta, a maior e mais lucrativa das marcas locais, reduziu sua rede em 900 lojas em todo o país entre 2012 e 2013.

O coeficiente dívida líquida/capital da empresa caiu para 61%no fim do ano passado, o mais baixo desde 2007. Suas ações negociadas em Hong Kong subiram 6 por cento nos últimos 12 meses, contra uma queda de 28% no Hang Seng Index, o índice de referência da cidade.

A Li Ning, que recebeu o nome do ginasta chinês medalhista de ouro olímpico, se tornou rentável no ano passado após três anos de prejuízos. A empresa reduziu o número de lojas de 8.255 em 2011 para 6.133.

Embora suas ações tenham caído 30% em Hong Kong nos últimos 12 meses, 13 dos 25 analistas monitorados pela agência de notícias Bloomberg atualmente classificam a ação como "compra", contra quatro analistas há um ano. A Li Ning tinha 524 milhões de yuans em caixa líquido (US$ 80 milhões) em seu balanço em 31 de dezembro.

A Anta copiou a tática das marcas esportivas americanas trabalhando o marketing e dando atenção especial aos layouts de suas lojas, diz Catherine Lim, analista da Bloomberg Intelligence. Além disso, a empresa criou uma marca infantil depois que a China cancelou sua política do filho único.

A empresa ampliou seus produtos de roupas de inverno aliando-se na China com a japonesa Descente Global Retail. O acordo parece vir a tempo de capitalizar o aumento do interesse nos esportes de inverno depois que o Comitê Olímpico Internacional entregou a organização dos Jogos de Inverno de 2022 à China.

O evento futuro "acendeu a febre chinesa pelo esqui", disse a agência oficial Xinhua News em um artigo recente. A Anta, que também possui os direitos de distribuição da marca Fila na China, é patrocinadora oficial de roupas esportivas do Comitê Olímpico Chinês.

Embora ainda esteja atrás da Nike e da Adidas, a Anta e as outras cinco grandes marcas esportivas chinesas, todas listadas em Hong Kong, agora estão começando a ganhar participação em seu mercado doméstico.

A chave para o renascimento das vendas é a popularidade dessas marcas em cidades menores fora de Pequim e Xangai, onde os níveis de renda e consumo estão subindo a um ritmo mais rápido.

A China continua muito atrás da maior parte dos grandes países em consumo per-capita de roupas esportivas e os planos do governo de transformar o setor em um pilar de crescimento de longo prazo deverá assegurar uma expansão contínua.

A Nike e a Adidas podem ficar tranquilas por enquanto, mas à medida que a mania dos esportes se espalhar para uma classe emergente de consumidores mais ricos é provável que as duas marcas enfrentem uma área mais concorrida.

As cinco empresas de roupas esportivas chinesas de capital aberto têm um valor combinado de cerca de US$ 9,4 bilhões, menos de um décimo do valor da Nike, a maior fabricante de produtos esportivos do mundo. Está claro quais competidores têm mais espaço para melhorar nesta corrida.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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