Análise: Petrobras é exemplo do endividamento do setor

Liam Denning

(Bloomberg) -- O código de negociação do papel da Petrobras na Bolsa de Nova York, "PBR", faz sentido alfabeticamente. Também é a sigla da cerveja Pabst Blue Ribbon. Olhar o balanço patrimonial da Petrobras, faz você ter vontade de beber um engradado inteiro para esquecer.

A Petrobras, que na sexta-feira apresentou os resultados do primeiro trimestre, admite ter problemas. Seu diretor financeiro disse que se trata de uma empresa com um nível de colesterol muito alto, que é a alavancagem.

A doença sem dúvida foi exacerbada pelo escândalo de corrupção que colocou a Petrobras na mira do Departamento de Justiça dos EUA e derrubou integrantes do círculo íntimo da presidente afastada Dilma Rousseff.

Mas as mazelas da Petrobras são apenas um exemplo extremo do que acontece em todo o setor petrolífero.

Além da corrupção, o problema da Petrobras é ter desembolsado bilhões para desenvolver as reservas do pré-sal. Os investimentos começaram a aumentar em 2008 e chegaram ao auge em 2013, quando já somavam quase US$ 260 bilhões --e bem na hora o preço do petróleo teve uma queda histórica.

As regras de conteúdo local aumentaram a pressão sobre a Petrobras. O custo relativamente alto desses barris --o preço que compensaria o custo dos novos projetos varia de US$ 70 a US$ 80, de acordo com a Evercore ISI-- significa que vai demorar muito, muito mesmo para esses investimentos gerarem retorno decente, se é que isso um dia vai acontecer.

Mas a Petrobras não está sozinha. O balanço patrimonial da Chevron foi abalado pelos projetos de gás natural liquefeito na Austrália, que também começaram a produzir bem no momento da derrapada global dos preços do gás.

Já a Shell viu sua dívida líquida quase triplicar desde 2014 por causa da aquisição da BG --outro mau exemplo do senso de oportunidade das grandes petrolíferas. Todas essas empresas tradicionais têm dificuldades para gerar fluxo de caixa positivo e certamente não estão ganhando o suficiente para cobrir seus sacrossantos dividendos.

Pelo menos neste ponto a Petrobras saiu na frente, parou de pagar dividendos há muito tempo. Mas quando a dívida líquida é quase 20 vezes maior que o fluxo de caixa livre, não há motivos para comemorar.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e seus proprietários.

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