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Qual o próximo fator decisivo para o mercado?

Josué Leonel

(Bloomberg) -- A fase de refletir as expectativas positivas com o presidente interino Michel Temer e seu ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, pode ter passado. Para analistas do mercado,  o entusiasmo com discurso amigável dos novos ocupantes do poder já se exauriu e será preciso agora passar da teoria à prática.

Desde meados de abril, o dólar tem oscilado em torno de R$ 3,50, com as intervenções do Banco Central impedindo quedas adicionais, enquanto o Ibovespa alterna altas e baixas pouco acima dos 50 mil pontos. Os ativos brasileiros perderam fôlego após o investidor antecipar o impeachment de Dilma e a chegada de Temer ao governo.

O mercado pode "andar mais" se o governo aprovar uma reforma da Previdência que não seja desfigurada pelo Congresso, ajudando a reverter o crescimento da dívida, diz Rodrigo Melo, economista-chefe da Icatu Vanguarda Administração de Recursos. Melo vê como favorável o desenho da equipe econômica anunciada por Temer, com Henrique Meirelles cuidando da macroeconomia na Fazenda e Romero Jucá, mais experiente politicamente, ajudando a negociar as reformas no Congresso.

O governo precisa passar de um déficit atual em torno de 2% do PIB para um superávit de 2% a 3%, diz Melo. Se o déficit continuar alto, a relação entre a dívida e o PIB vai crescer rapidamente, diz o economista da Icatu . "Esta é uma tarefa bastante complicada".

Alberto Ramos, economista chefe do Goldman Sachs para América Latina, lembra o caso do ex-ministro Joaquim Levy, que mesmo chegando ao governo com prestígio acabou não entregando as reformas necessárias. "Se a briga política não acabar, se as condições de governabilidade permanecerem fracas, se houver hesitações ou dificuldades em avançar com a agenda política, o mercado não vai reagir bem".

Italo Abucater, chefe da mesa de câmbio da Icap Brasil, também considera as reformas como um fator importante que pode gerar novos ganhos para os ativos brasileiros, mas desde que o governo tenha sucesso no esforço para aprovar o ajuste fiscal. "É preciso ver como eles vão arregaçar as mangas". Para Abucater, a China poderá ter peso ainda maior sobre o mercado doméstico do que as reformas, devido às dúvidas dos investidores sobre a desaceleração do país asiático, maior parceiro comercial do Brasil.

Outro possível 'driver' é a privatização, que o novo governo promete acelerar e tem potencial para melhorar o humor dos empresários em relação ao crescimento, diz Melo. Para ele, o mercado já embutiu nos preços a expectativa de que Ilan Goldfajn, do Itaú, assuma o BC. Segundo os jornais, Meirelles anuncia amanhã o nome do presidente.

Ainda que a esperada confirmação de Ilan, um nome respeitado no mercado, possa trazer algum impulso adicional de queda para o dólar, o desempenho do câmbio vai depender da posição do eventual novo presidente do BC sobre o programa atual de intervenções do banco, que têm mantido o dólar em torno de R$ 3,50, diz Abucater. Nada impede, observa ele, que a nova equipe acelere os leilões de swaps reversos para evitar uma maior apreciação do real, que poderia ser prejudicial às exportações.

A posição da nova equipe do BC também será determinante para os juros. Embora com a ressalva de que a visão de Ilan Goldfajn poderá não ser exatamente igual à que ele tinha como economista-chefe do Itaú, Rodrigo Melo considera que a confirmação do ex-diretor do BC como novo presidente tem potencial para ampliar a precificação de corte de juros, caso a inflação siga desacelerando. O mercado poderia passar a precificar corte de 0,50 pp da Selic em julho, ante aposta atual em 0,25 pp, diz Melo. "O Ilan poderá ser mais agressivo com os juros".

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