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Fundo de investimento do Catar cria unidade de US$ 100 bi:Fontes

Dinesh Nair e Matthew Martinez

(Bloomberg) -- O fundo soberano de investimento do Catar está passando por sua maior reformulação desde 2014, agrupando US$ 100 bilhões em investimentos em empresas locais em uma nova unidade e abandonando o nome Qatar Holding, sinônimo de seus negócios mais famosos, disseram pessoas informadas sobre o assunto.

Cerca de US$ 100 bilhões em participações da Autoridade de Investimento do Catar (QIA, na sigla em inglês) em empresas como Qatar Airways e Qatar National Bank SAQ serão acomodadas em uma nova divisão interna chamada Qatar Investments, disseram as pessoas, pedindo anonimato porque a informação é privada. O fundo busca trazer uma maior supervisão tendo uma única pessoa no comando, disseram as pessoas. Ahmed Al-Rumaihi, ex-diplomata do Catar nos EUA, chefiará a unidade, disseram.

O nome Qatar Holding, por meio do qual o emirado ganhou fama internacional após investir em empresas como Glencore e Barclays, agora será substituído pelo nome da QIA em investimentos internacionais, disseram as pessoas. O país não planeja alocar nenhum dinheiro novo na QIA neste ano, nem sacar recursos, e pediu que a QIA se valesse da venda de ativos ou do rendimento com dividendos para realizar novos investimentos, disse uma das pessoas.

As mudanças na QIA mostram que até mesmo os maiores fundos soberanos de investimento estão tendo que mudar de foco no momento em que a queda do preço do petróleo encerra a era de vastos acúmulos de riquezas e de aquisições dos chamados ativos troféu ao redor do globo. O valor das ações listadas em bolsa mantidas pelos maiores fundos do mundo provavelmente cairá para US$ 2,64 trilhões neste ano, contra cerca de US$ 3,04 trilhões no fim de 2015, segundo um relatório publicado em fevereiro pelo Instituto Fundo de Riqueza Soberana. Os fundos com sede no Golfo Pérsico, que é rico em petróleo, como a Autoridade de Investimento de Abu Dhabi e a Autoridade de Investimento do Catar, estão enfrentando as maiores "dificuldades financeiras", disse o relatório.

A QIA preferiu não comentar e as ligações para o telefone celular de Al-Rumaihi não foram atendidas.

Mudanças de CEO

As mudanças estão entre as maiores iniciativas adotadas pelo fundo desde que um membro da família real, o xeque Abdulla bin Mohamed bin Saud Al Thani, foi nomeado CEO, em 2014. Sob o comando do xeque Abdulla, o fundo está ampliando seu foco na Ásia e nos EUA buscando diversificar a localização geográfica de seus ativos. A diversificação "é um objetivo chave estabelecido pela análise estratégia da QIA", disse o fundo em um comunicado em setembro passado.

Sob o comando de seu antigo CEO, o xeque Hamad bin Jassim Al Thani, que também foi primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Catar, a QIA embarcou em uma onda de aquisições internacionais que incluiu a compra de ativos troféu, como a loja de departamentos londrina Harrods e a torre de escritórios Shard. Desde a saída dele, em 2013, algumas das apostas pereceram. As ações na Glencore, na qual a QIA é a maior investidora, caíram 55 por cento nos últimos 12 meses, enquanto a Volkswagen, empresa da qual o fundo é o terceiro maior investidor, teve um declínio de 39 por cento.

Título em inglês: Qatar Wealth Fund Said to Create $100 Billion Unit in Revamp

Para entrar em contato com os repórteres: Dinesh Nair em Londres, dnair5@bloomberg.net, Matthew Martinez em N York, mmartinez19@bloomberg.net, Para entrar em contato com os editores responsáveis: Telma Marotto tmarotto1@bloomberg.net, Patricia Xavier

©2016 Bloomberg L.P.

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