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Abraaj mira mercados emergentes e mantém cautela com Brasil

Devin Banerjee

(Bloomberg) -- A Abraaj, um dos maiores investidores em private equity de mercados em desenvolvimento, como o Oriente Médio e a América Latina, não tem planos de se expandir para a América do Norte nem para a Europa, embora as empresas nesses continentes estejam entrando mais nos mercados emergentes, disse o CEO Arif Naqvi.

"Acredito muito em que se você não estiver em primeiro, segundo ou terceiro lugar em um determinado mercado, então provavelmente você não deveria estar lá", disse Naqvi na terça-feira em uma entrevista na sede da Bloomberg LP em Nova York. "Mais e mais empresas estão analisando nossos mercados. Damos as boas-vindas a isso e mostramos o caminho".

Com US$ 9,5 bilhões sob gestão, a empresa com sede em Dubai está ampliando suas ofertas - com a adição de equipes dedicadas aos setores de imóveis, crédito e energias alternativas - e, ao mesmo tempo, mantém o foco nas regiões onde teve sucesso desde que Naqvi fundou a firma, em 2002: o Oriente Médio, as regiões sudeste e central da Ásia, a África e a América Latina.

Crescimento e risco

A Abraaj investe quando sua análise mostra que é possível aumentar as receitas de uma empresa entre 20 por cento e 25 por cento ao ano. De acordo com Naqvi, 55, esse nível de crescimento compensa com folga os riscos inerentes a essas regiões, como a instabilidade política, a incerteza a respeito das regulamentações, a fraqueza do Estado de Direito e a volatilidade cambial.

A Abraaj está liderando um grupo de investidores que pretende fazer um lance por uma participação minoritária na unidade africana do Barclays, disseram nesta semana pessoas familiarizadas com o assunto. A firma, que segundo essas pessoas está em negociações para se unir a parceiros como um fundo soberano de investimento do Oriente Médio, poderia fazer uma oferta por até 35 por cento do Barclays Africa Group, disse uma das pessoas.

Embora investidores dos EUA em aquisições alavancadas e em capital de expansão, como Carlyle Group, TPG, Warburg Pincus e General Atlantic, estejam cada vez mais buscando transações nos mercados emergentes, Naqvi disse que não teme que concorrentes conquistem negócios da Abraaj. Entre os benefícios: nos últimos 12 meses, a Abraaj vendeu empresas para o Carlyle, com sede em Washington, e para a Warburg Pincus e a General Atlantic, ambas com sede em Nova York, e tem uma parceria em investimentos com a TPG.

Naqvi, disse que a Abraaj atualmente está vendo oportunidades de negócios no Peru, no México, na Colômbia, no Chile, no Egito, na Turquia, no Vietnã, na Indonésia e na Índia. Alguns países, como a Nigéria e o Brasil, apresentam dificuldades, disse ele.

"O Brasil é um lugar onde as pessoas ganharam uma quantidade enorme de dinheiro, mas continua sendo um lugar que analisamos com muita cautela", disse Naqvi. "Tem muita burocracia, muitos obstáculos. Por isso, adotamos a postura de esperar para ver em relação ao Brasil".

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