Especialistas em previsões veem 24% de chance de saída do Reino Unido da UE

Simon Kennedy

(Bloomberg) -- No início deste ano, quando ainda não sabia se deveria defender que a Grã-Bretanha abandone a União Europeia, Michael Gove dedicou um tempo a ler um livro de grande sucesso sobre como analisar o futuro.

Três meses depois de o Secretário de Justiça de 48 anos ter colocado sua carreira em risco ao romper com o governo e participar da campanha pela saída, aqueles que ajudaram a inspirar o livro "Superprevisões: a arte e a ciência de antecipar o futuro" estão mergulhando no debate sobre a Brexit.

A perspectiva deles provavelmente vai decepcionar Gove e surpreender alguns investidores. De acordo com o grupo de "superprevisores" da Good Judgement, há apenas 24 por cento de chance de que os eleitores optem por sair do bloco no referendo do dia 23 de junho. Isso sugere que há menos incerteza em relação ao resultado do que as pesquisas de opinião indicam, e a projeção é mais baixa que as probabilidades calculadas por bancos como Morgan Stanley, Citigroup e Société Générale.

"Eu diria com razoável certeza que o status quo prevalecerá", disse Michael Story, 32, que recentemente se formou em políticas públicas na Faculdade de Economia de Londres.

Consulta com Boris

Story é uma das 150 pessoas de todo o mundo cujo histórico de fazer previsões que se confirmaram levou-as a serem convidadas a entrar na Good Judgement, a consultoria montada por Philip Tetlock, um dos autores do livro publicado em 2015. Gove foi fotografado com um exemplar na pasta depois de uma reunião em fevereiro na casa de Boris Johnson, prefeito de Londres na época e também defensor da Brexit.

O grupo se tornou mais confiante de que o Reino Unido escolherá ficar. Em abril, ele tinha calculado que as chances da Brexit eram de 37 por cento.

Warren Hatch, estrategista-chefe de investimento da Catalpa Capital Advisors em Nova York e outro superprevisor, diz que a probabilidade continua baixa porque os argumentos econômicos, e não os políticos, estão prevalecendo. O Banco da Inglaterra e o FMI alertaram sobre a possibilidade de recessão se o Reino Unido sair da UE.

"A essência do debate se concentrou mais na economia do que na política", disse Hatch. "Se a política estivesse prevalecendo, eu calcularia uma probabilidade maior".

A avaliação de 24 por cento sugere que talvez alguns investidores estejam superestimando o risco de Brexit. Economistas do Société Générale projetaram uma probabilidade de 45 por cento; o Morgan Stanley, de 35 por cento; o Citigroup, entre 30 por cento e 40 por cento.

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