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Analista do RBS vê surpresa do BOJ em junho e defende cautela

Netty Ismail

(Bloomberg) -- O estrategista do Royal Bank of Scotland que previu a alta do iene em outubro passado agora está recomendando aos maiores investidores do Japão que não subestimem a capacidade do banco central do país asiático de desvalorizar a moeda.

Mansoor Mohi-uddin projeta um declínio para 110 a 120 por dólar em alguns meses. O iene estava em 110,27 às 15h02 em Tóquio. O presidente do banco do Japão, Haruhiko Kuroda, tem o costume de surpreender o mercado e provavelmente expandirá a compra de títulos soberanos japoneses (JGBs) e fundos negociados em bolsa (ETFs) já em junho, disse.

"Os investidores estão muito pessimistas quanto à relação dólar-iene", disse Mohi-uddin, em entrevista, em Cingapura. "O BOJ tentará realizar pelo menos mais uma grande rodada de flexibilização em junho ou julho, com um volume maior de aquisições de JGBs e uma compra maior ainda de ETFs que provavelmente surpreenderão os investidores positivamente."

Modi-uddin se reuniu com algumas das maiores empresas de seguros de vida e gestão de ativos de Tóquio na semana passada e descobriu que elas estão mais pessimistas em relação à capacidade do banco central japonês de desvalorizar o iene. Além disso, quase todos preveem uma valorização em direção ao patamar de 100 por dólar. O sentimento está a seu favor no mercado de opções e os traders mostram o menor otimismo em relação à moeda japonesa desde novembro, segundo um indicador.

Apesar de ter perdido 4,3 por cento de seu valor desde que atingiu a maior alta em 18 meses em 3 de maio, de 105,55 por dólar, o iene registrou uma valorização de mais de 9 por cento neste ano, ameaçando os esforços do banco central para evitar a deflação.

O BOJ provavelmente aumentará seu programa anual de estímulos de 80 trilhões de ienes para 100 trilhões de ienes (US$ 907 bilhões), duplicará as aquisições de ETFs e poderá reduzir em junho ou julho a taxa de depósito, hoje em menos 0,1 por cento, disse Mohi-uddin. A perspectiva de aumento da taxa de juros nos EUA na mesma época provavelmente também estimulará as saídas de capital e desvalorizará a moeda, porque os investidores japoneses buscarão retornos maiores no exterior.

Em cerca de um ano, o banco central já adiou seu prazo para alcançar uma inflação de 2 por cento em quatro oportunidades, um revés para os planos do primeiro-ministro Shinzo Abe de reanimar a terceira maior economia do mundo por meio de uma combinação de flexibilização monetária, investimentos do governo e desregulamentação comercial.

Mais de 90 por cento dos economistas consultados pela Bloomberg no mês passado previram uma maior flexibilização do BOJ até o final de julho. O iene deverá cair para 115 por dólar até o final do ano, segundo a mediana das estimativas de analistas compiladas pela Bloomberg. A projeção mais otimista, da ING Groep NV, indica que a moeda subirá para 95 até o final do terceiro trimestre.

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