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Com novo presidente do BC, mercado aposta em corte dos juros em agosto

Josué Leonel e Marisa Castellani

  • Gabo Morales/Folhapress

    O economista Ilan Goldfajn foi indicado para ser o novo presidente do Banco Central

    O economista Ilan Goldfajn foi indicado para ser o novo presidente do Banco Central

(Bloomberg) -- O mercado financeiro pisou no freio nas apostas mais otimistas sobre a retomada dos cortes de juros. Até a semana passada, as projeções do mercado futuro apontavam redução já em julho. Agora, agosto passou a ser o mês mais provável para o início do ciclo.

Analistas questionam se Ilan Goldfajn terá uma inclinação maior do que a atual diretoria do Banco Central (BC) para cortar a taxa básica de juros (Selic). A alta dos juros futuros nos últimos dias coincidiu com o anúncio de Ilan como substituto de Alexandre Tombini, feito na terça-feira (17) pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

Também recentemente, contudo, surgiram outros fatores que impactaram o mercado, como números mais salgados da inflação, as notícias apontando para um deficit fiscal ainda maior do que o inicialmente previsto em 2016 e a pressão sobre o dólar causada pelas expectativas de alta dos juros americanos.

"O BC não reduziria os juros na reunião de estreia da nova diretoria", diz Sergio Goldenstein, sócio da Flag Asset e ex-chefe da mesa de "open market" do BC.

Ele alterou sua expectativa de corte de juro de julho para agosto e prevê três quedas de 0,50 ponto percentual até o final do ano e continuidade de corte em 2017, até a Selic chegar a 9,75%.

O BC vai querer uma ancoragem mais forte das expectativas de inflação para o ano que vem e deve esperar as primeiras medidas fiscais do novo governo, diz Goldenstein. Até porque, algumas medidas para reduzir o deficit fiscal podem ter impacto inflacionário, diz o executivo.

Inflação

A inflação corrente e as expectativas de inflação não estão bem, destaca Solange Srour, economista-chefe da ARX Investimentos. "Pelo próprio modelo do BC, a inflação para 2017 não deve estar ancorada nos 4,5%."

Ela disse que era contra a precificação, vista até a semana passada, de corte da Selic em julho, que aconteceu muito por uma "visão errada" de que o corte de juros ajudaria no ajuste fiscal. "Os juros mais baixos virão se o problema fiscal começar a ser resolvido. É consequência."

A possibilidade de um deficit fiscal maior este ano não mina a credibilidade da nova equipe, diz Solange. "A situação fiscal já é muito ruim e exige uma política fiscal apertada. O efeito nos juros dependerá de como impactará a inflação e as expectativas para os próximos anos."

Se o déficit chegar a R$ 200 bilhões, como tem sido noticiado, sem incluir as perdas da Eletrobras, "será um rombo enorme", diz a economista.

Juros nos EUA

A possibilidade de o Fed (Federal Reserve, o banco cenral dos Estados Unidos) subir os juros antes do inicialmente previsto também afeta as expectativas para as taxas brasileiras, diz Pablo Spyer, diretor da Mirae Asset Wealth Management.

"Dólar mais alto é igual a inflação", diz o diretor. Para ele, Ilan, após assumir o BC, poderá não ser tão favorável ao corte dos juros quanto parecia ser com base nos relatórios que assinava como economista do Itaú. "O mercado acredita que ele não será tão 'dovish' [menos agressivo e mais tolerante com a inflação] quanto era no Itaú."

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