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Estímulos do BCE atingem marco com longo caminho pela frente

Piotr Skolimowski

(Bloomberg) -- Mario Draghi está descobrindo que o poder das aquisições do Banco Central Europeu não é tão forte quando ele esperava.

Menos de dois anos após o presidente do BCE ter dito que ampliaria o balanço da instituição para 3 trilhões de euros (US$ 3,4 trilhões) para reanimar a inflação, ele atingiu este marco e está a ponto de estabelecer um novo recorde. Infelizmente, a inflação só piorou.

O resultado decepcionante até o momento -- em parte, por causa de uma queda imprevista nos preços do petróleo e de uma desaceleração liderada pela China na economia global -- sugere que a base de ativos do banco central aumentará ainda mais antes que o crescimento dos preços ao consumidor retorne para a zona de conforto.

Trata-se também de uma advertência sobre a fixação de metas para as políticas em uma era na qual os instrumentos monetários têm dificuldade para ser bem-sucedidos. Um porta-voz do BCE preferiu não comentar.

"A efetividade das ferramentas, e certamente a capacidade de sinalização do BCE, não é a que eles esperavam", disse Karen Ward, economista do HSBC em Londres.

"Teria sido pior se eles não tivessem feito nada, e o ambiente externo tem atenuado a eficácia. Mas nós estamos percebendo cada vez mais que muitos dos problemas da Europa não podem ser corrigidos com política monetária".

A promessa de Draghi foi feita em setembro de 2014, em entrevista coletiva em Frankfurt depois que o Conselho Governativo reduziu as taxas de juros e decidiu iniciar um programa de compra de títulos do setor privado, que se somou a um plano de empréstimos bancários anunciado anteriormente.

Embora o comunicado inaugural, que é um consenso do conselho, tenha feito referência apenas ao impacto "considerável" que as medidas provocariam no balanço, o presidente foi além quando questionado sobre o significado daquilo.

O BCE visava a "orientar de forma significativa o tamanho do nosso balanço rumo às dimensões que ele costumava ter no início de 2012", disse ele.

Ele repetiu a frase em depoimento ao Parlamento Europeu, em novembro de 2014, e ela também apareceu na declaração de abertura de sua entrevista coletiva sobre políticas monetárias de dezembro.

Em suas declarações, ele sinalizou que os ativos aumentariam para mais de 3 trilhões de euros, contra 2 trilhões de euros na época.

Eles atingiram 3,03 trilhões de euros em 13 de maio deste ano e deverão superar a alta de junho de 2012, de 3,1 trilhões de euros, dentro de algumas semanas.

Contudo, a taxa de inflação, já preocupantemente fraca em setembro de 2014, em 0,3%, chegou a cair para -0,6% no mês de janeiro seguinte e foi de -0,2% no mês passado.

A meta do BCE é manter o crescimento dos preços ao consumidor pouco abaixo de 2% e suas próprias projeções mostram que a taxa continuará abaixo disso por pelo menos mais dois anos.

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