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Força irresistível que domina mercados de câmbio está de volta

Lukanyo Mnyanda

(Bloomberg) -- O mercado internacional de câmbio já não é o senhor de seu destino.

Em vez de serem conduzidas pelos dados econômicos ou pela política monetária, as taxas de câmbio dos mercados emergentes têm a maior ligação com as oscilações das ações e das commodities desde 2013, pelo menos. Quando elas caem, é quase certo que o iene subirá e vice-versa.

O padrão conhecido entre os investidores como "risk-on, risk-off" está de volta.

Na sua forma mais forte, ele pode repartir cegamente os mercados financeiros em dois -- categorizando tudo, desde o dólar até o dong, como um porto seguro ou um "ativo de risco" e ditando a movimentação das moedas em resposta a notícias ou acontecimentos, independentemente dos fundamentos.

Esta situação está perseguindo os mercados novamente -- exatamente como ocorreu após a crise financeira de 2008 -- no momento em que os investidores chegam a um acordo em relação à distorção provocada pela flexibilização quantitativa (QE, na sigla em inglês) promovida pelos bancos centrais.

Isto significa que entender o quadro geral pode se tornar mais importante que o olhar local -- o que, segundo o HSBC, dificulta a tarefa dos gestores de recursos habilidosos de se destacarem entre seus pares.

"Estamos passando do mundo da QE para o mundo do risk-on, risk-off", disse David Bloom, chefe de estratégia de câmbio global em Londres do maior banco da Europa. "No momento, parece ser um ambiente de risk-off".

Fator Fed

O pico recente em muitas das correlações entre as moedas e outros ativos veio mais cedo neste ano depois que a queda das bolsas eliminou US$ 9 trilhões em valor das ações internacionais.

Agora as conexões estão aumentando novamente em um momento em que os investidores se preparam para uma série de desafios, desde o referendo do Reino Unido no mês que vem sobre a adesão à União Europeia até a reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) e a eleição dos EUA, em novembro.

O ressurgimento de um mercado binário já pode estar prejudicando os investidores: os fundos cambiais não conseguiram dar lucros em 2016.

O risk-on, risk-off provavelmente só se fortalecerá à medida que o Fed se aproximar da elevação das taxas de juros. Quando as atas da reunião mais recente do banco central americano foram publicadas, nesta semana, a especulação de que a instituição atuará em breve prejudicou as moedas e as ações dos mercados emergentes. O iene perdeu força na sexta-feira e as ações e commodities subiram.

"Existe uma linha assustadoramente tênue entre o fato de os juros dos EUA serem um sinal saudável de que a economia pode lidar com a normalização da política do Fed e de ser um gatilho para mais uma rodada de aversão ao risco, particularmente nos mercados emergentes", disse Kit Juckes, estrategista do Société Générale em Londres. Isto poderá provocar "a tradicional corrida do dinheiro para o iene em busca de um porto seguro", disse ele.

--Com a colaboração de Anooja Debnath e Lucy Meakin 

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