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Rússia investe no milho após se tornar maior exportadora trigo

Isis Almeida e Anatoly Medetsky

(Bloomberg) -- Após superar os EUA como maior exportador de trigo do mundo, a Rússia passa a dominar uma parcela maior do mercado de milho diante da expectativa de uma safra recorde.

Os produtores russos aumentarão a produção para 13,7 milhões de toneladas na safra que começará em outubro, uma alta histórica, segundo a consultoria SovEcon, com sede em Moscou.

Embora ainda sejam uma fração dos números dos EUA e do Brasil, as exportações de milho do país deverão superar as de cevada pela primeira vez nesta temporada, transformando o alimento no segundo mais vendido pela Rússia ao exterior.

Os produtores da Rússia estão expandindo a produção de milho devido à alta demanda doméstica da pecuária e à melhor rentabilidade, disse Dmitry Rylko, diretor do Instituto para Estudos do Mercado Agrícola da Rússia.

A produção mais que quadruplicou na última década, ajudando o país a ampliar sua supremacia nos mercados de grãos, que o viram superar os EUA como maior exportador mundial de trigo.

"A Rússia ainda não é uma potência do milho, mas está ganhando importância", disse Swithun Still, diretor da Solaris Commodities, que tem sede em Morges, na Suíça, e é a maior trader de milho russo. "Há cinco anos, o país tinha um programa de exportações insignificante. O milho passou do nada, basicamente, para uma exportação superior à da cevada".

A produção recorde desta safra já ajudou a transformar a Rússia na quinta maior exportadora mundial, tomando o lugar da União Europeia, onde a seca prejudicou a safra, mostraram dados do Departamento da Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês).

Aumento da produção

A produção de milho na Rússia aumentará em relação aos 13,2 milhões de toneladas desta safra porque a área plantada está sendo expandida em 7,1%, para 3 milhões de hectares, disse Andrey Sizov Jr., diretor-gerente da SovEcon.

Os produtores também estão expandindo as plantações de milho porque o alimento é menos sensível politicamente que o trigo, disse Sizov. A Rússia interveio repetidas vezes nos mercados de trigo banindo as exportações para proteger a oferta doméstica e, mais recentemente, aplicou um imposto à exportação do grão.

A taxa, que entrou em vigor em julho, provavelmente será ampliada na próxima safra, embora a Rússia afirme que não veja motivos para isso.

"Trigo é farinha, farinha é pão, e pão é uma questão socialmente importante para países como Rússia e Ucrânia", disse Sizov. "Mais e mais produtores começaram a perceber que o trigo se tornou um cultivo sensível".

O milho é fácil de produzir e os custos dos insumos são mais baixos, segundo a Solaris. Os produtores russos cultivam uma variedade que não é geneticamente modificada e que também está atraindo consumidores, disse Still.

No início deste ano, a Índia apresentou oferta para a compra de milho na maior aquisição do país em décadas. Uma das condições: o milho não podia ser geneticamente modificado. A Turquia e a Coreia do Sul são as maiores consumidoras do grão russo.

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