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Tesouro dos EUA evita emissão de títulos com vencimento longo

Eliza Ronalds-Hannon e Liz Capo McCormick

(Bloomberg) -- O mercado de títulos do Tesouro dos EUA é recordista mundial quando o assunto é tamanho, profundidade e liquidez. Em uma área, contudo, ele está ficando para trás.

Para aproveitar as taxas de juros historicamente baixas, Bélgica, Canadá, Espanha, França, México, Reino Unido e Suíça venderam dívidas com vencimento em 40 a 100 anos desde 2014, embora com pouca frequência.

Os EUA, não. Com o interesse de manter a regularidade das vendas, o país se ateve a títulos de três décadas ou menos. Essa política transformou o maior devedor do planeta em um retardatário, segundo uma das principais métricas do mercado de títulos relacionada ao vencimento médio de seus títulos. Segundo esse indicador, a diferença entre os EUA e seus pares nunca foi tão ampla.

Com o Federal Reserve sinalizando seus planos de elevar os juros e com a projeção de crescimento dos déficits dos EUA, a política do Tesouro mostra que o órgão está perdendo uma oportunidade de ouro.

Mas os guardiões do mercado de títulos do Tesouro, de US$ 13,4 trilhões, veem a questão de outro modo. Para eles, emitir títulos com vencimentos mais longo apenas esporadicamente minaria a abordagem previsível adotada desde os anos 1970 que, segundo eles, garante a confiabilidade e a facilidade da negociação nesse mercado de dívidas, que é referência mundial, e economiza o dinheiro dos contribuintes.

'Mercados líquidos'

"O Tesouro gosta de ver mercados grandes e líquidos, e um título de 50 anos não será particularmente líquido", disse James Moore, chefe de soluções de investimentos em Newport Beach, Califórnia, da Pacific Investment Management, que administra cerca de US$ 1,5 trilhão.

"O Tesouro está pensando a respeito e equilibrando uma multiplicidade de objetivos quando analisa a emissão. Liquidez e profundidade são alguns deles".

Os EUA não ficaram exatamente parados. O prazo médio da dívida soberana está atualmente em cerca de 69 meses, contra 49 em dezembro de 2008, quando o governo estava ampliando a emissão de títulos de curto prazo como parte de um investimento de emergência durante a crise financeira, mostram dados do Tesouro.

Contudo, segundo um indicador conhecido como duration modificada, que mede a sensibilidade do preço da dívida às mudanças nas taxas de juros que sobem com o vencimento, o país ainda está atrás de seus pares internacionais. Normalmente, os títulos com duração maior sobem mais quando os juros caem e têm prejuízos maiores quando os juros sobem.

No caso dos títulos do Tesouro dos EUA, o número é de 6,2, contra 8,9 de um índice que monitora títulos soberanos de mais de 20 outros países, mostram dados do Bank of America Merrill Lynch.

Neste mês, a diferença entre os dois números foi a maior desde pelo menos 2006. Um dos contrastes mais claros se dá na relação com o Reino Unido, que emite títulos de longo prazo para pensões e seguradoras. A dívida do país tem duration acima de 10, mostram dados do Bank of America.

--Com a colaboração de Martin Z. Braun Anchalee Worrachate David Goodman Alexandra Scaggs e Claire Boston

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