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Analistas preveem desvalorização do yuan sem novo caos

(Bloomberg) -- Os investidores estão prestes a descobrir se os mercados internacionais são capazes de lidar com a queda do yuan.

A moeda chinesa teve uma desvalorização de 1,2% neste mês devido às chances maiores de elevação da taxa de juros nos EUA pelo Federal Reserve em junho, um recuo constante que não era visto desde a queda de janeiro que provocou uma crise mundial no mercado de ações. O Natixis Asia e Roy Teo, do ABN Amro Bank, principal analista do yuan, preveem mais declínios da moeda, mas sem reprise do caos.

"O banco central aprendeu a lição e não permitirá que o mercado entre em pânico, como fez em janeiro", disse Iris Pang, economista sênior do Natixis Asia para a Grande China em Hong Kong, que mantinha uma das projeções mais pessimistas para o yuan durante o auge da turbulência de janeiro.

"Mas este é o começo de uma nova onda de depreciação. Os bons tempos em que desfrutávamos de uma taxa de câmbio estável em relação ao dólar e de um yuan mais fraco em relação à cesta de moedas acabaram para sempre".

A China utilizará fixação diária, intervenção e apoio verbal intensificado à moeda para evitar que os investidores se assustem, segundo Teo. A queda do yuan no início do ano e o choque de desvalorização em agosto causaram impactos nos mercados ao redor do mundo.

Até o momento, os investidores não se prepararam para uma repetição disso e a volatilidade histórica medida por um indicador de ações globais está no nível mais baixo em quase um ano. A probabilidade de que o yuan caia para 7 por dólar até o final de 2016 diminuiu para 13%, contra mais de 30% em janeiro, mostram os preços das opções.

O Banco Popular da China cancelou seu mecanismo baseado no mercado para a gestão do yuan em 4 de janeiro e voltou a estabelecer a taxa de câmbio com base no que serve melhor às autoridades, reportou o Wall Street Journal, com informações atribuídas a pessoas não identificadas próximas ao banco central.

Em fevereiro e março, a autoridade monetária da China seguiu a estratégia de permitir ganhos limitados em relação ao dólar para conter as saídas de capital e de guiar a depreciação em relação às moedas dos parceiros comerciais para ajudar nas exportações.

Esse plano, que funcionou bem em meio ao maior declínio trimestral do dólar desde 2010, foi frustrado pela valorização do dólar em um momento em que o Fed se prepara para elevar os juros nos EUA.

"Começamos a ver algum hedge a um yuan mais fraco no mercado de opções, mas isso se deve mais a um posicionamento do mercado com base em um pouco de risco de hedge", disse Teo, do ABN Amro. "Não acredito que tenha proporção similar ao que ocorreu em janeiro ou agosto".

--Com a colaboração de Helen Sun e Justina Lee

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