Demora da Arábia Saudita na emissão de títulos pode sair caro

Lyubov Pronina

(Bloomberg) -- Quando a Arábia Saudita recorrer a investidores internacionais para seu primeiro título, é possível que o país tenha que pagar um extra para atrair administradores de recursos que acabam de devorar dívida vendida por seus vizinhos.

Quando o reino convidou na semana passada bancos para promover a subscrição a uma emissão de papéis, o país entrou na fila atrás de outras empresas e Estados do Oriente Médio que já arrecadaram US$ 15 bilhões neste ano. O Catar se reunirá nesta semana com investidores por uma possível venda de US$ 5 bilhões, após uma transação de tamanho similar feita no mês passado por Abu Dhabi.

"A transação gigantesca do Catar poderia provocar uma reprecificação da dívida do Conselho de Cooperação do Golfo e encareceria o financiamento da Arábia Saudita", disse Sergey Dergachev, gestor sênior de recursos que ajuda a administrar US$ 13 bilhões em dívida de mercados emergentes na Union Investment Privatfonds, com sede em Frankfurt.

Ele vai avaliar a compra de títulos sauditas e catarianos após investir na emissão de Abu Dhabi. "Se eles emitirem imediatamente ou muito pouco depois do Catar, suponho que os sauditas teriam que pagar de 20 a 25 pontos-base a mais".

Países exportadores de energia estão tomando empréstimos internacionais depois que os preços do petróleo caíram pela metade desde 2014, fato que obrigou os países a consumir suas economias para cobrir déficits orçamentários cada vez mais amplos.

A perspectiva de que o Federal Reserve aumente as taxas de juros já em junho e o intervalo anual dos mercados no Oriente Médio para o mês sagrado muçulmano do Ramadã, que começa no mês que vem, estão aumentando a pressão para que os emissores ajam rapidamente.

Abril foi o mês de maior atividade de vendas de papéis do Oriente Médio desde junho de 2014 e a emissão está no ritmo mais veloz em três anos no que vai de 2016.

Se o Catar tiver sucesso com a emissão de US$ 5 bilhões, a conta se aproximará de US$ 20 bilhões. O número se soma a colocações privadas, como uma de US$ 435 milhões em dívida islâmica de Barein.

Fora da região, a brasileira Petrobras vendeu US$ 6,75 bilhões em notas neste mês e a Rússia iniciou uma oferta de papéis internacionais na segunda-feira.

Rombo financeiro

O déficit orçamentário da Arábia Saudita será de 14% da produção econômica neste ano, em comparação com cerca de 5 por cento no Catar, com base na mediana das estimativas dos analistas consultados pela Bloomberg.

A Moody's Investors Service rebaixou neste mês a nota de crédito do país para A1, o quinto grau de investimento mais alto, e disse que "a queda dos preços do petróleo causou uma deterioração importante do perfil de crédito da Arábia Saudita".

A precificação da venda de títulos da Arábia Saudita dependerá mais do tamanho da transação do que do guidance da emissão do Catar, disse Brett Rowley, diretor-gerente do TCW Group, que administra US$ 185 bilhões em ativos. O governo não revelou quanto dinheiro pretende captar.

"Se o número for próximo ao de Abu Dhabi e possivelmente do Catar, em torno de US$ 5 bilhões, talvez a Arábia Saudita consiga imprimir perto de valores similares", disse Rowley. "Se tentarem uma transação muito maior, os investidores poderiam exigir um prêmio mais alto".

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