Bolsas

Câmbio

Hedge funds sofrem com saída global de investidores

Tom Beardsworth e Alastair Marsh

(Bloomberg) -- Toby Dodson esperou seis meses para que sua aposta contra um frágil banco português compensasse. Mas antes que esse reconhecimento chegasse, veio uma ordem de seus chefes no hedge fund Achievement Asset Management em Chicago: prepare-se para pegar suas coisas e reduzir suas negociações, estamos fechando. Eles tinham perdido demais com as empresas do setor de energia dos EUA e se tornaram uma das 979 firmas a anunciar seu fechamento no ano passado.

Foi assim que Dodson, um especialista em empresas financeiras de 29 anos, e a empresa deixaram de receber US$ 40 milhões, de acordo com fontes familiarizadas com o assunto. Ele soube da sorte perdida através de clientes, que ligaram para ele no dia 30 de dezembro, quando as notas portuguesas despencavam - e provavam que ele tinha apostado corretamente.

"Meu telefone tinha várias ligações perdidas de ex-colegas, corretores e vendedores que sabiam que eu tinha adotado uma posição vendida", disse Dodson, que mora em Londres. "O momento foi frustrante, mas só nos resta rir". Ele preferiu não revelar o tamanho e o momento da negociação.

Deixar de ganhar vários milhões de dólares só piora a situação dos investidores arrebatados pela atual convulsão dos hedge funds. É um lembrete de que estar certo é apenas metade do desafio para aqueles que administram o dinheiro de outras pessoas.

Manter os investidores a postos o tempo suficiente para lucrar com transações que às vezes levam meses para compensar pode ser tão desafiador quanto estar certo hoje em dia.

Investidores desmotivados por retornos decepcionantes e tarifas altas nos hedge funds retiraram seu dinheiro em 2015 em uma proporção não vista desde 2009, de acordo com a Hedge Fund Research. Pessoas a par do assunto dizem que isso está só começando.

"Não há dúvida de que estamos no começo de um fracasso", escreveu Dan Loeb no mês passado, em uma carta trimestral a investidores da Third Point, sua empresa com sede em Nova York.

Dodson não foi o único a deixar de ganhar com a aposta portuguesa. Scott Wilson, 49, um gestor de recursos em Londres da unidade de hedge fund do Grupo BTG Pactual, foi forçado a recuar na mesma transação.

Assim como Dodson, que agora está captando recursos para um novo fundo voltado à dívida distressed, Wilson fez apostas que compensariam se os títulos do credor português Novo Banco caíssem.

As notas seniores despencaram 80 por cento no dia 30 de dezembro depois que o banco central de Portugal impôs prejuízos aos detentores de títulos, uma decisão que pegou de surpresa alguns dos maiores gestores de recursos do mundo, como a BlackRock e a Pacific Investment Management.

A empresa de Wilson teria ganhado cerca de US$ 28 milhões da noite para o dia, de acordo com uma pessoa familiarizada com o assunto. Mas não ganhou.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos