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Análise: Saída da Vale de Hong Kong mostra limite chinês

David Fickling e Nisha Gopalan

(Bloomberg) -- A decisão da Vale de declarar o fim de sua experiência enquanto ação negociada em Hong Kong mostra mais que o simples fato de que as ofertas secundárias raramente funcionam.

Demonstra que a Hong Kong Exchanges & Clearing, operadora da bolsa de valores da cidade, está em melhor posição mantendo puramente papéis da China do que de empresas estrangeiras que dependem da China para crescer.

A Vale, que continua sendo a maior produtora de minério de ferro do mundo apesar das penúrias recentes, abriu seu capital em Hong Kong na forma de recibos depositários baseados em ações existentes em 2010. A fome da China por commodities estava no auge, mas os investidores locais nunca mostraram muito apetite pelas ações da Vale.

Apenas 1,9 milhão dos recibos de Hong Kong baseados em ações ordinárias brasileiras da Vale mudaram de mãos nos últimos 12 meses, contra 7,38 bilhões de ADRs equivalentes dos EUA e 1,87 bilhão de títulos brasileiros subjacentes. (As ações preferenciais da Vale são mais líquidas que as ordinárias, com volumes de 6,8 bilhões nos últimos 12 meses no Brasil).

O pico do volume de transações das ofertas locais da Vale nos últimos 12 meses foi o dia 29 de abril, quando 5,3 milhões de dólares de Hong Kong (US$ 682.000) em títulos mudaram de mãos. Desde que as ADRs americanas mais populares foram negociados pela primeira vez, em 2002, houve apenas duas ocasiões em que viram tão pouca atividade, segundo dados compilados pela Bloomberg. Nos últimos 12 meses, eles registraram média de US$ 132 milhões por dia.

Em parte, o desempenho medíocre da Vale em Hong Kong reflete o fato de que os investidores institucionais não são muito fãs das ofertas secundárias -- a menos que estejam na forma de ADRs dos EUA ou de GDRs de Londres.

Mas, de forma mais ampla, ele mostra que a Hong Kong Exchanges & Clearing não tem sido um sucesso como porta de entrada para ofertas na China.

Basicamente, Hong Kong pouco difere de qualquer outro destino de investimentos importante. Os investidores institucionais conhecem melhor as ações locais e preferem ter ações de empresas cujos grandes anúncios são feitos em seu fuso horário, e não daquelas que podem emitir um alerta de lucro no meio da noite. Isso torna o território um bom lugar para comprar ações da China continental, como por exemplo da Tencent ou do gigante bancário ICBC. Quando o assunto é o minério de ferro brasileiro, nem tanto.

Existe um argumento diferente, usado algumas vezes, de que as ofertas em Hong Kong são mais marketing que mercado. Para empresas como Prada, L'Occitane e Samsonite, uma oferta em Hong Kong poderia ajudar a construir percepção de marca em uma cidade que continua sendo um grande destino turístico para os chineses.

Contudo, se você quer vender seu produto aos consumidores chineses, a melhor estratégia poderia ser de fato vender seu produto aos consumidores chineses. Este certamente parece ser um caminho mais sensato a percorrer do que gastar milhões de dólares de Hong Kong em tarifas de ofertas por uma ação pouco negociada no lado errado do muro que circunda os fechados mercados de capitais da China.

Essa coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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