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China deve perguntar aos EUA sobre momento alta de juros, dizem fontes

Bloomberg News

(Bloomberg) -- Autoridades chinesas planejam perguntar aos seus pares americanos, durante conversas anuais marcadas para o mês que vem, sobre a chance de aumento da taxa de juros pelo Federal Reserve em junho, segundo pessoas informadas sobre o assunto.

A delegação chinesa tentará deduzir se é mais provável um aumento nos juros em junho ou julho em um momento em que o banco central do país asiático se prepara para o possível impacto sobre os mercados financeiros e o yuan, disseram as pessoas, que pediram anonimato porque as discussões são privadas. Na visão da China, se o Fed elevar os juros, é preferível um movimento em julho, disseram as pessoas.

A taxa de câmbio da China já vem caindo com o aumento da expectativa de que o banco central americano aumentará sua taxa básica pela primeira vez desde que encerrou sua política de juros próximos de zero em dezembro com um aumento de 0,25 por cento. Não é incomum que as autoridades pressionem umas às outras em relação às suas políticas e o possível pedido dos chineses sobre o Fed viria após várias manifestações de preocupação dos EUA em relação às intenções da China com sua taxa de câmbio. O Departamento do Tesouro dos EUA colocou a China em uma nova lista de observação cambial, no mês passado, para monitorar vantagens comerciais injustas.

'Com cautela'

"O lado chinês argumentará que os EUA deveriam se movimentar com cautela ao apertar sua política monetária e evitar qualquer surpresa", disse Mark Williams, economista-chefe para a Ásia da Capital Economics em Londres, que participou de reuniões entre o Reino Unido e a China quando trabalhava no Tesouro britânico. "O Federal Reserve tomará sua decisão unicamente com base no que é melhor para a economia dos EUA, mas está claro que as preocupações em relação à China influenciaram sua forma de pensar sobre o equilíbrio de riscos enfrentado pelos EUA".

O yuan caiu cerca de 1,2 por cento neste mês, unindo-se às moedas de mercados emergentes como Índia, Brasil e Malásia, que perderam valor em relação ao dólar. Na quarta-feira, o yuan era negociado próximo ao menor nível em três meses depois que o banco central chinês estabeleceu a taxa de referência mais fraca em cinco anos.

O Diálogo Estratégico e Econômico EUA-China, de caráter anual, está programado para 6 e 7 de junho em Pequim, pouco mais de uma semana antes da próxima reunião de política monetária do Fed.

"As autoridades chinesas estão bastante temerosas em relação ao Fed porque uma alta dos juros em junho -- que não está completamente descontada no mercado -- pode impulsionar o dólar", disse Shen Jianguang, economista-chefe para a Ásia do Mizuho Securities Asia em Hong Kong. "Isso poderia representar uma ameaça ou dificultar a tarefa do Banco Popular da China de manter uma taxa de câmbio estável para o RMB", disse ele em referência ao renminbi, outro termo para o yuan. "Uma postura menos agressiva do Fed interessa à China".

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