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Febre do Canal do Panamá volta em nova era do comércio

Alex Nussbaum e Naureen S. Malik

(Bloomberg) -- Um século depois de revolucionar os mercados internacionais, o Canal do Panamá está prestes a chamar a atenção do comércio mundial novamente.

Nove anos de obras, com um custo de mais de US$ 5 bilhões, equiparam o canal com um terceiro conjunto de eclusas e canais de navegação mais profundos, melhorias cruciais que vão dobrar a capacidade do istmo de transportar carregamentos entre os oceanos Atlântico e Pacífico.

Quando as novas eclusas abrirem no fim de junho para receber o tráfego pela primeira vez, as reverberações serão sentidas dos terminais asiáticos de gás às fazendas das Grandes Planícies dos EUA, dos portos de Miami e Long Beach aos de Santiago.

A estreia coincide, casualmente, com um aumento da produção de gás natural nos EUA, que levou as instalações de xisto a buscarem novos mercados exportadores repentinamente. Os canais mais profundos serão capazes de acomodar os enormes navios-tanque que transportam gás natural liquefeito, economizando onze dias e um terço do custo do trajeto tradicional de ida e volta até o Extremo Oriente. Do Chile à China os mercados também ficarão mais acessíveis para as petroleiras de todo o continente americano e milhões de toneladas de carregamentos em contêineres que saem da Ásia poderiam começar a contornar os portos do oeste dos EUA e preferir atracar ao longo da Costa do Golfo ou no litoral leste.

O crescimento projetado desencadeou um frenesi de dragagem e construção em portos dos EUA, do Caribe e da América do Sul, todos querendo conquistar uma parte do aumento do tráfego. O Panamá também está tentando se tornar um centro de distribuição para fabricantes internacionais e tem planos para adicionar espaço para mais de 5 milhões de contêineres de carga adicionais.

"Haverá muitos serviços auxiliares que se desenvolvem em torno dele", disse Moses Kopmar, analista da Moody's Investors Service em Nova York, em uma entrevista por telefone. "O que ele vai fazer é basicamente liberar uma grande quantidade da frota mundial em termos de poder transitar pelo canal".

A expansão não resolverá todas as dificuldades enfrentadas pelo canal. Mesmo triplicando o tamanho dos cargueiros que é capaz de receber, o Panamá ainda não poderá acomodar nem os navios de contêineres nem os navios-tanque de maior porte. Além disso, o tráfego dependerá mais da saúde da economia mundial do que de suas dimensões, de acordo com Kopmar.

Mas a expansão era fundamental, dizem especialistas do setor, para um país que corria o risco de ver sua rota marítima perder relevância se não crescesse para lidar com as embarcações de portes maiores, as preferidas hoje em dia. O canal, que carregou cerca de 340 milhões de toneladas de carga no ano fiscal que terminou em setembro, responde por cerca de 6 por cento do comércio mundial total.

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